QUADRINHO: A Playboy, Chester Brown

QUADRINHO: A Playboy, Chester Brown

Eu encontrei A Playboy acidentalmente quando procurava por gibis dos X-Men em um sebo em São Paulo. O que chamou muito a minha atenção, além da mão em primeiro plano indicando um ato obsceno e a mulher em segundo plano nos encarando fixamente, foi o pequeno nome em branco acima do título: Chester Brown.

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A primeira vez que li Chester Brown foi quando numa tarde preguiçosa no trabalho eu devorei seu livro Pagando Por Sexo, onde ele nos conta sobre sua experiência com prostitutas, e defende a legitimidade do sexo pago. Depois disso eu já li praticamente tudo que ele desenhou/escreveu, e poderia afirmar que me sinto como um amigo íntimo do autor/personagem, não fosse sua assombrosa frieza. Inclusive no prefácio de Pagando Por Sexo, o (meu outro amigo imaginariamente íntimo) legendário cartunista Robert Crumb também se mostra assombrado diante da frieza de Chester.

Mas esse laço com o autor, que também é personagem na maioria de seus livros, dá-se desde a primeira leitura de um de seus quadrinhos autobiográficos. Ele não nos esconde nada, e em contraste a isso, em todas as suas histórias ele está escondendo algo dos outros personagens. Dessa maneira, conseguimos entrar em contato com seus sentimentos mais profundos, e ainda assim o vemos como uma pessoa fria que não esboça nenhum tipo de reação emocional às pessoas ao seu redor.

Em A Playboy encontramos uma figura diabólica do Chester do futuro que nos leva até 1975 onde em uma igreja o jovem Chester, nos seus 15 anos de idade, está entediado e se lembra que no dia anterior tinha visto uma revista Playboy enquanto procurava por gibis na loja Bonimart.

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No dia seguinte ele vai até a loja para comprar a Playboy, depois volta para casa e se masturba, posteriormente se sentindo culpado e se livrando da revista. A partir daí se repete um ciclo de procura pela revista, masturbação, sentimento de culpa, terminando sempre com ele jogando a revista fora.

Desde a primeira vez que compra a revista, o jovem Chester se sente paranoico a todo momento, com medo de que alguém o encontre com a Playboy em mãos, e vergonha por estar fazendo algo que considera (porque consideram) errado e nojento. Dessa maneira, ele mesmo se considera errado e sente nojo de si mesmo. Em determinado momento ele nos revela que se sentiu culpado e estranho ao brincar com seus amigos, pois era o mais velho da turma e carregava aquele condenável segredo em silêncio.

Toda a paranoia que sente com a revista em mãos se torna grande alívio toda vez que se livra dela. E de novo e de novo ele vai crescendo e se livrando da revista todas as vezes. Uma das melhores cenas dessa repetição é quando ele decide se livrar da Playboy na lareira da sala, e seu irmão mais novo se senta ao sofá para assistir televisão. Chester continua sentado próximo à lareira como se brincasse com o fogo, quando na verdade estava queimando página por página da revista. Quase ao fim do filme que o seu irmão assistia, ele termina de queimar a última página, e então mais tarde ao se olhar no espelho percebe que o lado direito de seu rosto tinha uma mancha, como uma leve queimadura de sol. Essa divisão em seu rosto, com um lado manchado e outro não, é quase como uma síntese da história e de como o personagem se sente. Uma divisão entre certo e errado, adulto e criança, profano e sagrado, limpo e maculado.

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Chester cresce e passa a colecionar a Playboy após a morte de sua mãe (que o observa, condenando-o, em cima de uma nuvem no céu), tendo que se livrar de toda a coleção quando seu pai decide que eles vão mudar de casa. Depois, quando passa a morar sozinho, ele retoma a coleção, sempre dando preferência às edições antigas, principalmente as que já teve anteriormente, quando mais jovem. E então quando conhece uma garota e dá início ao seu primeiro namoro sério, mais uma vez se livra de toda sua coleção, para não ter nem de admitir que tem revistas Playboy, nem ter de mentir sobre isso para a namorada.

Ele descobre então, que só consegue manter uma ereção enquanto transa com sua namorada se imaginar que está transando com uma das garotas das capas das suas antigas playboys, e depois que sente mais prazer se masturbando do que fazendo sexo de verdade. Quando o namoro acaba ele retoma a coleção procurando pelas edições antigas novamente, guardando somente as fotos da garota de capa e não a revista toda.

A história é uma confissão honesta sobre a sexualidade do autor, fortemente ligada à revista Playboy, que mesmo quando adulto ainda continua influenciado pelos desejos sexuais da sua adolescência, também mantendo os mesmos sentimentos de vergonha, nojo e medo que sentia quando jovem, mesmo que em um nível menor conforme amadurece.

A capa, como dito no começo, que traz uma mão indicando o ato obsceno e uma gota branca, com uma mulher pelada em segundo plano, faz com que você tenha de ver o livro da mesma forma que o autor via as revistas Playboy, escondido. Acredite, eu tentei ler no metrô e na sala de aula e as pessoas ao meu redor me olhavam com estranhamento, nojo, medo e vergonha. O que talvez mostre que ainda em 2016, como em 1975 na adolescência do autor, ou em 1992 quando o livro foi lançado no Canadá (A edição que eu encontrei no sebo é da editora Conrad, de 2001), as pessoas encaram assuntos relacionados à sexo como um tabu, e não se discute ou, não conversamos sobre isso.

CD: Mind of Mine, ZAYN

Lead title: Pegue seu fone, abra o Spotify, ou o que preferir, e aprecie essa obra que é “Mind of Mine”.

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Capa do álbum gerou comparações com outras do Lil Wayne

Introdução/Contextualização:

Nesta sexta-feira (25/03/2016) chegou às lojas, em formato de CD/Vinil e em todas as plataformas digitais, Mind of Mine, álbum debut de estúdio do cantor e compositor Zayn Malik. Essa estreia marca o início da sua carreira como artista solo, após uma jornada de cinco anos como integrante da boyband One Direction. Agora, o cantor assinado, distribuído e agenciado pela RCA Records, selo da Sony Music.

Mind of Mine veio precedido do single PILLOWTALK, o carro-chefe, que, de maneira rápida, tornou-se um smash hit, porque, em sua primeira semana de lançamento, a composição estreou direto no topo da parada americana de singles, a Billboard Hot 100 e da parada britânica de singles, a UK Singles Chart.

A produção executiva ficou nas mãos de uma pessoa que chamou atenção, pois Malik trabalhou com o produtor Malay, talvez você não conheça por nome, mas ele também esteve por trás de outro grande debut, de outro grande cantor R&B, o channel ORANGE, de Frank Ocean (duas vezes vencedor do Grammy Awards) e de John Legend (possuidor de nove gramofones). Desde que o nome foi revelado, pode-se visualizar o rumo que Zayn tomara em carreira solo.

Análise da obra no geral:

Para todo artista, a primeira produção sempre será um meio de apresentá-lo e inseri-lo à indústria fonográfica, de maneira que ele defina o caminho que quer seguir durante sua carreira artística. Com vista nisso, Zayn revelou que trabalhou com diversos produtores e chegou a escrever em torno de 46 a 47 letras (!!!) para este CD, além de dizer que experimentou diversos estilos, ritmos e gêneros diferentes até encontrar algo que se identificasse: “eu realmente não sei qual é meu estilo ainda. Eu estou apenas mostrando quais são as minhas influências”, admitiu o jovem cantor.

O disco traz uma ÓTIMA combinação de ritmo midtempo, sexy, com uma vibe provocativa, refrães radiofônicos, com vocais grudentos em meio à uma melodia pop, algumas músicas cativam desde o primeiro contato, enquanto que as outras demandam uma insistência de nós, ouvintes, para digeri-las melhor. Classificando o todo, é um R&B contemporâneo, combinado com upbeats e synthpop. Uma ambiciosa produção experimental, complexa, detalhada e até mesmo bem elaborada.

Análise das letras (Conteúdo-Temas-Composição):

Nesta produção de Zayn, você irá viajar pela mente de um jovem de 23 anos, que busca descobrir o seu mais profundo eu, o seu interior, seu subconsciente, por isso, nota-se que não é à toa que no nome do álbum possui a palavra mind (mente, em inglês). O ouvinte passará também a conhecer as histórias e pensamentos, de forma muito clara, de um artista novo que iniciou sua carreira recebendo muita atenção do público e da mídia em geral.

Por ter um tema tão subjetivo, as letras são intensas, minuciosas e reveladoras, explorando diferentes paisagens sonoras e assuntos; revelando inúmeros focos temáticos, como a felicidade, o amor, o desejo, a luxúria, a frustração e os anseios, mas cada canção serve a um único propósito, isto é, estabelecer a identidade de Malik, o que acarreta na identificação de vários jovens com as músicas do álbum Mind of Mine.

Outra característica que contribui para uma efetiva identificação do jovem com as songs, por marcar, de certa maneira, a desorganização da mente de um jovem que ainda está se descobrindo, são as estilizações nos nomes das composições, por exemplo, a música BeFoUr, que, imageticamente, traz uma grafia que, ao meu ver, tem o propósito de referenciar os altos e baixos da vida, não só dos adolescentes, mas de todos nós, seres humanos.

Análise do artista como intérprete das suas canções (Voz, notas, modo de cantar e tons):

Como já era de se esperar, Zayn usa e abusa de todas as suas capacidades e técnicas vocais. Independentemente se são notas baixas ou altas, se o tom é grave ou agudo, ele faz e as executa com maestria, de um jeito promissor, seus vibratos e falsetes possuem uma tessitura de qualidade.

Na maior parte do álbum, em algumas músicas ouvimos camadas (ao menos três, contando com lead vocals) sobrepostas de sua voz, proporcionando suporte e texturas como se pudéssemos tocar nas ondas sonoras que chegam aos nossos ouvidos. Entretanto, não nos iludimos tanto, porque sabemos que esse suporte, ao vivo, será uma função para os backing vocals, mas não deixe a beleza do momento se perder. Além disso, há efeitos sonoros encontrados em diversas canções, que, por meio de eco ou de vozes distorcidas, encontramos um efeito auditivo de como se estivéssemos mesmo em alguma mente ou no cérebro de alguém, revelando e descobrindo o seu eu mais profundo.

Análise da instrumentalização no geral e especificamente:

Em geral, em todas as faixas, a instrumentalização é composta por bateria eletrônica, bateria comum, pianos, teclados, sintetizadores, programadores, baixos e guitarras, ou seja, há músicas mais orgânicas e outras mais eletrônicas.

No entanto algumas músicas especificas possuem, na sua instrumentalização, alguns instrumentos a mais, como é o caso da intro MiNd Of MiNdd. Ela possui o acréscimo de um som orgânico, de um instrumento idiofônico chamado vibrafone, que tem como função marcar o compasso em conjunto com a bateria. Além disso, por ser a primeira faixa do álbum, ela é muito convidativa, não somente pelos versos repetidos sete vezes, com o emprego de verbos no imperativo (aquele que manda), como “Open up and see what’s inside of my mind” (Em tradução livre: abra e veja o que está dentro da minha mente), mas também pelos sons agudos apresentados logo no início que, aliados com as notas do piano, são os primeiros sons que ouvimos ao dar o play.

Outra que é acrescida de um instrumento idiofônico é iT’s YoU, composta somente por um sintetizador, do início, até os 17 segundos, para, em seguida, entrar uma bateria eletrônica e, posteriormente aos 46 segundos, um chocalho. Para compor esse arranjo instrumental, além do vocal, há inclusive um triângulo (aquele usado aqui no Brasil em músicas nordestinas), ele aparece no refrão ao mesmo tempo ao som do piano e em alguns momentos violinos (arranjo de cordas).

PS: Ela foi composta para sua ex-noiva! Note a DR na arte.

Em sHe, inclui-se, em alguns momentos, estalos de dedos. Esse epílogo aos 02m:50s é muito bom, e inclusive me recordou Justin Timberlake, cantor que também tem a mania de colocar epílogos em suas músicas. O epílogo é totalmente orgânico, encerra a faixa e prepara o terreno para a próxima, intitulada como dRuNk, cuja composição é muito boa.

Em sequência, o que dizer de INTERMISSION: fLoWer? Um interlude experimental, com violão acústico em estilo folk, bateria e guitarra, com sons atmosféricos semelhantes a uma espessa neblina. Malik respeitou suas raízes e origens nessa bela poesia islâmica, com a letra em língua Urdu, ela surgiu a partir de um ditado reproduzido por um membro da sua família que costumava dizer a ele, e mostra um vislumbre de sua herança muçulmana, Zayn usou técnicas vocais qawwali, incluindo elisões vocais e gorjeando. A tradução literal merece estar aqui:

    Até a flor deste amor florescer
    Este coração não encontrará paz
    Me dê seu coração
    Me dê seu coração
    Me dê seu coração

fOoL fOr YoU e PILLOWTALK são as mais orgânicas do álbum. A primeira, quando chega no refrão, pressupomos que a construção musical é para cortar o coração, ou machucar a garganta ao cantarmos junto. Tem o piano, a bateria, a guitarra, o baixo e é único o som com cordofones (arranjo de cordas-violinos). Belíssima música, uma power pop ballad. O cantor revelou, inclusive, que recebeu uma influência em particular do John Lennon ao produzi-la. Isso não é ótimo?

Em tRuTh, por sua vez, além da bateria, da guitarra e dos teclados, há ainda sinos abafados antes do refrão e pra encerrar um instrumento lírico, a harpa, com uma letra que traz um desabafo, com descrições e conselhos para alguma garota.

Pontos negativos:

A produção não tem como ser perfeita, certo? Como são tantas músicas, algumas passam despercebidas pelo ouvinte, principalmente se preferir ouvir a versão deluxe (18 faixas). Isso ocorre, talvez, por elas (algumas músicas) não chamarem tanto a atenção ou por ser um ponto baixo no disco. Por isso, esteja atento quando ouvi-lo, ele merece sua atenção.

Além disso, entre algumas músicas e outras, não há aquele tempinho de espera em silêncio, para processarmos a música anterior, elas estão ‘linkadas’ uma nas outras, digamos assim. É o caso, por exemplo, de sHe e dRuNk e algumas outras. Não atrapalha tanto, mas eu, em particular, gostaria que tivesse o tempo de espera.

Resumão:

A liberdade criativa ofertada pela gravadora para o primeiro disco foi certeira. Mostra que o cara é inteligente, sabe o que faz, o que quer fazer e aonde quer chegar.

O minimalismo e o direcionamento artístico estão até na ficha técnica de produtores e compositores, já que são poucos nomes citados. Diferente do que vemos em outros grandes artistas que trabalham com tantos nomes e estilos diferentes, atirando para todos os lados. Arrisco a dizer que é minimalista e grandioso ao mesmo tempo, por causa de todas referencias que encontramos, que ele buscou e pela quantidade de instrumentos harmonizados, mas de forma minimalista. Aqui podemos dizer: “Menos é mais”?

É uma obra digna de um artista “estreante”.

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Dou 4,5 estrelas de 5,0 estrelas (pontos)

Espero que curta e goste do álbum tanto quanto yo e sinta-se à vontade para viajar pela mente de um jovem artista. Até a próxima!

 

 

 

Livro: Dois irmãos, Hatoum

Livro: Dois irmãos, Hatoum

Eu não sabia nada de mim, como vim ao mundo, de onde tinha vindo. A origem: as origens. Meu passado, de alguma forma palpitando na vida dos meus antepassados, nada disso eu sabia. Minha infância, sem nenhum sinal de origem. É como esquecer uma criança dentro de um barco num rio deserto, até que uma das margens a acolhe (HATOUM, M. Dois Irmãos, 2000, p. 54).

Após onze anos de silêncio autoral, Milton Hatoum voltou com a publicação do livro Dois irmãos, em 2000, pela Companhia das Letras. Primeira obra publicada depois de sua estreia como romancista, com o livro Relato de um certo Oriente, em 1989. Ambos os livros renderam ao escritor manauara o prêmio Jabuti, como melhor romance do ano e foram traduzidos para vários outros idiomas e, inclusive, o livro Dois irmãosrecebeu versão em filme e em HQ.

Dois-irmãosO que falar deste livro que só li uma vez e já considero pacas? (Silêncio).

Na narrativa de Dois Irmãos,  deparamo-nos com uma trama que se desenvolve a partir de uma tumultuada relação entre os dois irmãos gêmeos Yaqub e Omar. A família, de origem libanesa, vive em Manaus, numa época em que os imigrantes se dedicavam ao comércio, numa cidade que é interpelada pela decadência, depois de um período de grande efervescência econômica e cultural, no início do século XX. A partir disso, Milton Hatoum traça um enredo, com um pano de fundo histórico, a qual possibilita que o leitor se depare com imagens vívidas da época ditatorial brasileira.

Quanto aos personagens, temos um narrador que, ao narrar, contempla vários núcleos, como a mãe, o pai, a irmã dos dois rapazes, Domingas, a empregada da família e seu único filho. Esse último é peça fundamental para o desenrolar do enredo, por ser um telespectador curioso e narrador fiel aos acontecimentos da casa. Todas as ações do garoto são motivadas por sua sede da verdade e pela busca de respostas aos segredos que perambulam na casa do velho Halim (pai dos gêmeos). Devido a isso, o garoto se depara com personagens que se entregam ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada.

Dois irmãos, apesar de parecer uma obra tradicional, devido sua linguagem culta e por ter começo, meio e fim, digo que não é. A leitura propicia aos leitores uma grandiosa imagem espacial de Manaus, num momento conturbado, cuja contextualização histórica e ambiental nos é apresentado de maneira magistral. Há ainda a descrição das relações familiares, que é produzida com grande realismo, isto é, o leitor atento acompanha cada passo dos personagens, por meio da construção imagética, na narrativa.

Toda essa construção acontece a partir do grande domínio de estratégias ficcionais de Hatoum, autor que possui um estilo de escrita enxuto e ligeiro, mas que não despreza a importância dos detalhes à trama. Aponto isso, porque ele surpreende com uma narrativa repleta de nuanças e sutilezas, que conduz o interlocutor até a última linha da obra, sem se fatigar com as 198 páginas que compõem o livro

Ainda sobre suas estratégias de escrita, há, em sua obra, avanços e recuos no tempo, não tendo, pois, uma linearidade temporal, já que os problemas são revelados aos poucos, conforme o sujeito da narrativa rememora fatos esclarecedores e os encadeia para solucionar (ou não) os enigmas da história. Para que isso ocorra, o narrador se mune de recursos como o flashback e o flashforward, durante o desenrolar do romance.

Portanto, em meio de um cenário literário muito das vezes triste, temos, com Milton Hatoum, uma obra rica, cuja construção permite ao leitor várias interpretações e reflexões, seja sobre existencialismo, seja sobre relações ou até mesmo sobre a efemeridade da vida. Pensamentos propostos de maneira claro e acessível, pois, embora o livro apresente uma linguagem com a variação padrão-culta, ela é muito simples e acessível ao receptor/leitor, recurso que aproxima e torna possível que a estilística e questionamentos apresentados por Hatoum cheguem à qualquer público. E isso é genial.