Netflix: algumas dicas, parte II

Netflix: algumas dicas, parte II

Eu sei que vocês se lembram sobre a minha promessa de postar mais dicas de filmes disponíveis na Netflix, num post anterior, certo? Essa proposta rolou, porque algumas pessoas sempre me perguntavam: o que tem de legal para assistir na Netflix, rê? E, assim, de cara, é sempre difícil indicar algo, ainda mais quando não sabemos o gosto (referente ao gênero do filme) da pessoa. Então, a ideia é válida, para que as pessoas saibam que na plataforma tem sim filmes interessantes e tem sim filmes bons, além das séries, e, com tudo listadinho, cada pessoinha encontrará os longas de sua preferência.

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É sempre um ótimo programa, não é?

Para fazer isso, precisei, primeiramente, selecionar os títulos que eu colocaria aqui como opção. As escolhas não são imparciais, elas estão carregadas (muito carregadas) da minha preferência e da minha experiência com determinados filmes, por isso, a maior lista de todas, conforme o gênero proposto pela Netflix, é o bendito drama. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de dramas (desde na questão artística, quanto na questão vivência), então foi difícil fazer uma lista reduzida, mas espero que compreendam.

  • Clube de compras Dallas

Sabe aquele filme que parece que o ator nasceu para interpretar o personagem? Então, Matthew McConaughey (aquele ator das comédias românticas), com direção de  Jean-Marc Vallée, interpretou tão bem o Ron Woodroof que chega ser sofrível assisti-lo em cena, com seus 20 quilos a menos. O homem, que é caubói, sofre com a doença mais temida em 1985, a Aids. Nessa época, em acreditava-se que a doença era exclusividade de homens gays e usuários de drogas injetáveis. Surge, então, um personagem machista, homofóbico e preconceituoso, que começa a contrabandear remédios para conseguir manter sua vida. Inicialmente, seu propósito é ajudar a si mesmo, mas, com o tempo, ele começa a revende-los à outras pessoas soropositivas e, com isso, cria o Clube de Compras Dallas. Com isto, alguns aspectos vitais de sua trajetória se tornam evidentes, como o seu ativismo não proposital e sua luta contra as indústrias farmacêuticas que distribuíam drogas mortais para os doentes, com ajuda de uma transexual Rayon, interpretada por Jared Leto.

Penso que, além das atuações geniais, o filme merece ser visto por suscitar uma série de questões problemáticas, desde do tratamento da Aids, como lidar, etc., até as relações intersociais que mantemos todos os dias.

Resenhas: cinemaqui e hopeinlove

Outros títulos que se assemelham em temática: 50% (nesse filme, o personagem tem câncer e o roteiro é lindo!), On the road (passa-se em uma época em que muita coisa é liberada, quase como acontece no Compras Dallas), Discurso do Rei (também é uma ficção-biografia e também foi indicado ao Oscar), Frida (também é uma biográfico e maravilhoso), O jogo da Imitação (também é baseado em fatos, também foi indicado ao Oscar), Não estou lá (GRANDE produção biográfica sobre o MARAVILHOSO Bob Dylan), Piaf: um hino ao amor (Possivelmente, quem assistir, vai chorar do início ao fim, de tão lindo que é e por ter um roteiro muito bem trabalhado, sobre a emblemática Piaf), Coco antes de Chanel (Atuação: Audrey Tautou, biografia bem construída, no filme), Amadeus (produção maravilhosamente desenvolvida sobre a história da vida de MOZART. Nem preciso falar sobre a trilha sonora, certo?).

  • Educação (An Education)

Eu amo esse filme. A temática é o velho discurso que envolve o dilema sobre o verdadeiro banco de aprendizado: escola ou a vida, mas, apesar de ser um tema batido, temos a maravilhosa Carey Mulligan, que nos encanta, que nos leva e nos amarra na trama. Uma moça ingênua, que só estudava e nunca saia, sonhava com a França e com homens românticos. Toda seu ‘mundo’ se transforma, quando ela se apaixona pelo charmoso David (Peter Sarsgaard). Homem mais velho, com mais experiência que ela, que a envolve em sua vida confusa. Não vou falar sobre o desfecho – que é muito lindo – porque as pessoas não gostam de spoiler.

O que posso dizer é: super me identifico com a personagem, a trilha sonora e a fotografia são ótimas, o elenco e o figurino foram composto com esmero e se passa em Londres.

Resenha: moviesense

Outros títulos: pensando no lance adolescente-problemas-fase-difícil-com-filmes-ótimo-para-ver, temos o filme Inquietos (é bem adolescente, mas é uma graça de belo. A personagem tem câncer terminal, mas de um jeito bem diferente – e melhor – que a Culpa é das estrelas), Em busca por uma nova chance (também é interpretado pela linda Carey Mulligan, e é sobre o amor entre dois jovens: o menino morre, a mina fica sozinha e grávida. O legal é acompanhar a história do casal, em flashback, e ver, em tempo ‘real’ o drama que a garota sofre para convencer os pais do rapaz que ela carrega o neto deles), Se enlouquecer não se apaixone (é lindo e tem o Zach fofíssimo Galifianakis. A história é sobre um garoto que acaba internado na ala psiquiátrica, junto com adultos, e acaba se apaixonando por uma garota bem perturbada), Bling Ring (filme da legal Sofia Copola, que conta a história de uma gang de adolescentes – que existiu mesmo – que assaltam as casas das celebridades de Hollywood. A trilha sonora é bem boa), Eu matei minha mãe (uma resenha legal aqui. É um filme que discorre sobre uma relação entre mãe e filho-homossexual. Ótimas atuações e é intenso), Preciosa (um filme sobre a vida e problemáticas de uma garota negra, de 16 anos, ambientada em 1987, que era abusada pela mãe e violentada pelo pai), Vantagens de ser invisível (indie, bonito de ver, e é sobre um garoto que se sente deslocado, que não tem facilidade para interagir até que ele encontra os amigos ideais para ele). Amor a distância (não é tão adolescente, porque os personagens são mais velhos, mas é tão lindinho fofinho delícia, como uma temática tão comum para os jovens…)

  • Onde os fracos não tem vez (No Country for Old Men)

Meu preferido dos Irmãos Coen. Sem sombra de dúvida. Penso, inclusive, que eles quase chegaram à genialidade com essa produção. Tenho quase uma reverência ao Javier Bardem em sua atuação como Anton Chigurh, um assassino que mata muito e sabe matar e tem uma arma muito muito engenhosa.

Não tem como, em poucas palavras, dizer o quanto o jogo de imagens, com o manuseio da câmera, é muito bem trabalhado, como a mente doentia é extremamente explorada e exposta, por meio do personagem de Bardem, ator maravilhoso que dá ao personagem características impecáveis, como, o jeito de antar, o olhar objetivo, os movimentos, a voz, o cabelo…, o filme tem um humor peculiar.

O filme, localizado no Texas, mostra a trajetória de um assassino (que não é o personagem principal, mas é aquele que rouba a cena), na década de 80. Llewelyn Moss (Josh Brolin), encontra um traficante de drogas no deserto e resolve pegar uma valise cheia de dinheiro que foi encontrada no local. Logo, Anton Chigurh, o tal assassino sem piedade, é enviado para matar Moss e pegar o dinheiro. Entretanto, para chegar em Moss, o psicótico Chigurh precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).

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O longa é uma baita tensão, com uma trama profundamente imanente e uma metáfora de transcendência. Não tem como falar muito sobre essa obra. Mas, quem puder, super assista.

Resenhas: discutindocinema, ccine10 e contracampo

Filmes quase semelhantes: Biutiful (é denso pra caramba, não tem muito o lance de assassinato e sangue, mas serve para transtornar. É mais uma coisa sobre pós-morte. O delicioso deste filme é poder deitar e ver um cara que manda muito bem na atuação: Javier Bardem-deuso), Millennium: Os homens que não amavam as mulheres, O silêncio dos inocentes (o personagem principal é bem psicopata), Precisamos falar sobre o Kevin (GENIAL de bom, não consigo nem falar o que é melhor nesse longa. Tem a Tilda!), Old Boy (O melhor da trilogia da vingança), Entre segredos e mentiras (filme todo loucão, com o meu mais maravilhoso Ryan Gosling e Kirsten Dunst), Donnie Darko (não é sobre um assassinato, mas é sobre um garoto que sofre alguns transtornos psicológicos).

  • Tudo sobre a minha mãe

Um filme espanhol, de 1999,  dirigido pelo grandioso Pedro Almodóvar. O filme lida aborda temas complexos como a AIDS, o travestivismo, a identidade sexual, a religião, a fé e  até mesmo o existencialismo.

A trama conta com personagens femininos, mulheres super fortes, que enfrentam lindamente o machismo, o preconceito e etc, por meio do seguinte enredo: No dia de seu aniversário, Esteban (Eloy Azorín) ganha de presente da mãe, Manuela (Cecilia Roth), uma ida para ver a nova montagem da peça “Um bonde chamado desejo”, estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes). Após a peça, ao tentar pegar um autográfo de Huma, Esteban é atropelado e termina por falecer. Manuela resolve então ir de encontro ao pai, que vive em Barcelona, para dar-lhe a notícia, quando encontra no caminho o travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa (Penélope Cruz) e a própria Huma Rojo.

Os cenários do filme trazem o estilo de Almódovar, além da prova do amor do diretor pelas mulheres, que chega ao ponto de subtendermos que ‘os homens não são necessários’ (El País).

O que antes era excessivamente bizarro e cafona dá lugar à problemas do mundo moderno revestidos de uma nova postura, não que Almodóvar tenha perdido seu fetiche pelo bizarro e pelo cafona, porém o que vemos aqui é seu lado humano em personagens cheios de sensibilidade (Ebah).

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Filmes com alguma semelhança: A pele que habito (mesmo diretor), A escolha de Sofia (personagem principal é mulher e de uma força gigantesca), Histórias Cruzadas (personagens principais são mulheres e negras, com um enredo envolvente), A troca (mulher, mãe, Angelina Jolie: pura emoção de chorar).

  • Adam

Faz muito tempo que vi esse filme e até hoje ele me encanta. Foi surpreendente vê-lo disponível na Netflix, porque, quando eu quis assisti-lo, foi muito difícil para conseguir o download. Agora é facilzinho.

O longa-metragem é sobre o Adam (Hugh Dancy, que destrói na atuação), um portador da Síndrome de Asperger, que perdeu o pai recentemente. Paralelamente, ele desenvolve um relacionamento com sua vizinha, Beth (Rose Byrne). Com ela, os espectadores aprendem um pouco mais sobre a síndrome, de maneira bem didática, clara e sensível.

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Algumas informações sobre filme e a síndrome: trabalhosgratuitos psicologacuritiba

Filmes que se aproximam, por conta do romance-não-tão-leve-assim: Mesmo se nada der certo (lindo!!), Entre irmãos (A mulher é casada, o marido vai pra guerra. A família acha que ele morreu, a mulher tem um romance com o cunhado. O marido-da-guerra volta da batalha!), Azul é a cor mais quente (não gosto desse filme por vááários fatores, mas acho que o pessoal precisa assisti-lo, para ver esses váááários fatores e problematizar), Como não perder essa mulher (o filme, inicialmente, parece bobo, mas a discussão que ele trava, com o lance de homens x pornografia, é muito válida), Direito de amar (dirigido pelo Tom Ford, história de dois homens apaixonados. Fotografia e trilha sonora impecáveis), Peixe grande (Tim Burton), Um conto chinês (filme ótimo!), Shame (um dos filmes que já vi que tem a cena de sexo mais intensa e sofrida, além de ter um nu frontal do maravilhoso Michael Fassbender e abordar temas como vício em sexo e incesto), Minha vida sem mim.

  • Paris, Texas

Paris, Texas conta a história de Travis, um homem que, depois de estar desaparecido por mais de quatro anos, é reencontrado pelo irmão Walt num hospital na região desértica do Texas, próximo à fronteira com o México. Maltrapilho e com amnésia, é levado por Walt para a sua casa em Los Angeles, onde reencontra Hunter, seu filho de sete anos que foi abandonado pela mãe, Jane. Inicialmente estranhos, Travis e Hunter iniciam uma reaproximação que culmina num a grande amizade e também no desejo secreto de reencontrar Jane e reconstruir sua verdadeira família.

O bom do filme, além da fotografia, trilha sonora, enquadramentos e atuação, é a discussão sobre o papel do pai numa sociedade burguesa-paternalista.

O filme é lindo e super vale a pena vê-lo, desde que não se deixe iludir pelo machismo, por fazer parte do contexto sócio-histórico e ideológico da época, retratado no filme (a mãe abandonar o filho é loucura, enquanto que o pai, ao abandonar o filho, é visto como sofredor, etc.).

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Filmes com alguma semelhança: Deus da carnificina (duas famílias que brigam por seus filhos, com um enredo que não muda de espaço, como Dogville e até mesmo Oito odiados), Álbum de família (com Meryl Streep como matriarca do grupo familiar), Ida (filme independente, ganhou Oscar, e mostra o percurso de uma mulher, criada em um orfanato e prestes a entrar para a ordem, descobre segredos de seus antepassados, na Polônia, durante a ocupação Nazista).

  • Antes da meia-noite

trechos-de-antes-do-amanhecer-antes-do-por-do-sol-e-antes-da-meia-noite-1370037807190_300x420O último filme da Trilogia do Antes, de Richard Linklater, que trabalha com a temática relacionamentos. Com vista nisso, o trabalho mostra Celini e Jesse (Julie Delpy e Ethan Hawke), dois jovens que tiveram o seu primeiro encontro num comboio entre Budapeste e Viena (Antes do Amanhecer, 1995). Nove depois, ao visitarem Paris (Antes do Anoitecer, 2004), ambos se reencontrarem, em um momento totalmente diferente que o anterior. Por fim, em Antes da meia-noite (2013), 18 anos após o primeiro encontro deles, Celine e Jesse aparecem casados, com duas crianças e de férias em Messinia, Grécia. Durante todo esse percurso apresentado, podemos ver de pertinho o desenvolvimento dos seus laços, a construção de uma vida, o convívio cotidianamente, os encontros e os desencontros do casal. No último filme, por exemplo, vemos a realidade do dia-a-dia das suas vidas e, apesar de ainda se amarem, questionam os motivos pelos quais se aproximaram.

Qualquer pessoa que se preze, que tenha tempo e disposição, precisa assistir esses filmes, não só por serem maravilhosos, mas por marcarem uma nova abordagem do tema ‘relacionamentos’.

Até hoje um tipo de histórias de amor predomina no cinema: o amor romântico. Aquele em que a mocinha inocente conhece o amor de sua vida, e após alguns empecilhos eles descobrem que são feitos um para o outro e vivem felizes para sempre. Mesmo com este tipo de história sendo predominante, nos últimos anos tivemos filmes como “500 Dias Com Ela”, “Amor” e até mesmo “Frozen” que fogem desse padrão e mostram o amor de uma maneira mais próximo da realidade. Mas poucos filmes conseguiram retratar o que o amor realmente é quanto a “Trilogia do Antes”, de Richard Linklater (altamenteacido).

Além disso, o longa é resultado de uma dedicação sem tamanho, do diretor e dos atores, pois sua produção foi realizada com verdadeiros 9 anos de intervalo entre uma filmagem e outra. Tudo isso para dar uma verossimilhança e um aspecto real do relacionamento do casal, até porque, é visível o amadurecimento e o envelhecimento natural de cada um dos atores.  Por isso, a trama se tornou uma das mais belas e reflexivas histórias de amor do cinema contemporâneo, já que cada encontro e cada filme têm sido marcados pela idade, maturidade e necessidades dos protagonistas que, se antes eram pautadas pela impulsividade e necessidades românticas, tornaram-se cada vez mais dominadas pelo pragmatismo.

Não preciso dizer que eu amo esses atores e seus respectivos personagens, certo? Guardo com um carinho todo especial os sentimentos que essa obra despertou em mim, além da expectativa, da espera, da paciência, que tive entre uma estreia e outra.

Sinto dizer que, na Netflix, só o último filme está disponível para acessoApesar disso, vale total o esforço de procurar os dois filmes anteriores e assisti-los, para seguir a ordem da obra certinho.

Resenhas: cinemadetalhado, cinema.uol e uai

Filme que tem uma temática muito próxima: Apenas uma vez (relacionamento, abordagem bem contemporânea e linda, com uma trilha sonora impecável).

  • Tomboy

Amo de paixão filmes com atuações infantis. Ver a molecada dando show de atuação é gratificante pra caramba. Principalmente, quando temos temas polêmicos que exigem uma caracterização, uma performance mais forte. E é exatamente isso que encontramos em Tomboy.01
Selecionei as imagens que colocarei no post e já comecei a fungar, querendo chorar mesmo, porque, galera, é isso que o filme é: um baita soco no estomago.

O filme foi escrito e dirigido pela francesa Céline Sciamma (Garotos não choram). Ele narra a história de uma menina de dez anos, Laure (Zoé Héran), que se comporta de uma maneira, que relacionamos ao gênero masculino. Ela é dedicada à mãe, ao pai e à irmã menor, Jeanne (Malon Levana). Devido ao seu comportamento, suas roupas e gestos, Laure começa a viver duas vidas: dentro de casa é a menina, enquanto fora é um menino.

Tudo no filme é produzido e abordado com uma delicadeza e calma sem igual, sem querer polemizar, mas apresentar um assunto que não costumamos discutir com frequência: a descoberta da sexualidade na pré-adolescência.

Resenhas: cinepipocacult e pitangadigital

Filmes com alguma semelhança: Albert Nobbs (não é criança atuando, mas a temática é muito próxima) e A menina no país das maravilhas (uma criança que atua lindamente a personagem Phoebe, uma menina que se esconde em suas fantasias, até chegar ao ponto de confundir a realidade com seus sonhos. Trailer). Beasts of no Nation (filme original Netflix, que narra a história e percurso de um menino, separado da família durante a guerra civil africana, e que se torna um garoto-soldado, ao lado de mercenários. Um baita golpe  na alma esse longa).

Um beijo e um queijo e até a próxima e é isso aí.

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Conto: Esquece, Marcelino Freire

Lead Title: Quem dera se tudo isso fosse uma realidade distante ou inexistente.

Pré-aviso: Como tudo não é um mar de rosas, cheio de sentimentos, principalmente cheio de amor, escrevo sobre algo que precisa ser dito, divulgo essa resenha que necessita, posteriormente, de sua reflexão.

Introdução/Contextualização:

Marcelino_Freire_02Marcelino Freire nasceu em Sertânia, interior de Pernambuco, em 1967. Entre seus livros publicados, se destacam Angu de Sangue (2000) e Nossos ossos (2013), representando temas sociais brasileiros contemporâneos-modernos sempre em tom crítico. A atuação social e literária de Freire é reflexo de suas experiências de vida, como ele mesmo revelou.

O conto Esquece encontra-se no livro Contos Negreiros, publicado em 2005, pela editora Record. O livro reúne 16 contos, na realidade, chamados de cantos em razão da marcante oralidade, do falar popular. A edição tem capa dura com apresentação de Xico Sá. Além de ganhar o Prêmio Jabuti, na categoria contos, em 2006.

Percepções:

O conto (canto III) em análise tem uma estrutura simples, curta e homogênea de apenas nove parágrafos, sua escrita possui também frases curtas e dinâmicas, imagens breves e com certa virulência, porque rapidamente você está dentro da história, do espaço e do tempo.

É interessante notar que os parágrafos são paralelos, se você pegá-los individualmente nenhum irá fazer falta para o outro, cada um por si só tem sentido completo, mas na ordem que estão dispostos reproduz a ordem cronológica dos acontecimentos da diegese: O 1º fato: o assaltante à espreita na escolha da vítima; partindo pro 2º fato: o assalto e assim por diante: a confusão gerada por ele, a chegada da polícia (“querendo salvar o patrimônio do bacana”), a revista na rua, a prisão e o depósito “outra vez” na cela.

Com cada fato declarado sequencialmente, sem pausas dentro dos parágrafos, porque não têm vírgulas, representa e proporciona a alusão, da correria da cidade urbana moderna, cheia de imediatismo – tudo tem que ser agora – não há intervalos. Para exemplificar, o 3º parágrafo:

 Violência é ele ficar assustado porque a gente é negro ou porque a gente chega assim nervoso e ponto de bala cuspindo gritando que ele passe a carteira e passe o relógio enquanto as bocas buzinam desesperadas. (pág. 31)

Isso provoca, inclusive, que os fatos imaginados por você enquanto o lê, passem também depressa, mudando de espaço/cenário/cena a cada parágrafo rapidamente.

Ele foi escrito como uma matéria comum, como uma carta sem sua estrutura completa ou, até mesmo, como um post respondendo a pergunta O que é violência pra você? Ou seja, o assunto abordado é violência urbana. Um assunto que sempre está em voga na sociedade. Com isso, durante a sua leitura, os fatores externos que provocaram e influenciaram o momento de escrita do autor vêm a nós fácil-fácil. Não é difícil imaginá-los, porque você os presencia, algo do tipo, ali ao lado, na esquina da sua casa, até mesmo discursos em redes sociais vêm à sua mente. Ele (o assunto) já se tornou banal pra sociedade, de tão enraizado que está, com isso o autor nem precisou contextualizar, introduzir e teorizar, simplesmente o início é igualmente como no fim, sempre iniciando cada parágrafo com: Violência é… E, em seguida, seus motivos. O conto começa direto, sem rodeios.

No momento de leitura, nem parece um texto escrito, parece bem mais com um discurso oral, uma fala entre um interlocutor e os receptores, isto é, os leitores.

Há uma modalidade de narração recorrente na obra do autor, configurando um tipo de narrador que mimetiza uma espécie de diálogo imaginário, uma fala responsiva que cria um efeito de oralidade como uma mímica a dominar toda a diegese. (BALDAN, 2011)

 Essa questão da oralidade faz lembrar das formas de se transmitir conhecimentos em eras passadas: um anfitrião, um ancestral, da aldeia passava para todos os outros habitantes seus conhecimentos, sejam eles crenças, mitos, sempre tentando responder algum fato. É o que também se vê aqui em “Esquece”, digamos que seja uma história didática.

Não há um mediador, um personagem nomeado. Nós sabemos qual a sua realidade, classe social e etnia por causa de suas afirmações dentro do texto. Essa escolha deixa claro que é um discurso de qualquer cidadão, qualquer um pode de maneiras diferentes ou idênticas se identificar com a narração. Marcelino cedeu aos negros um poder de fala, deu voz a quem é calado, julgado e apedrejado pela própria sociedade ao invés de ofertá-lo suporte.

A obra de Marcelino Freire guarda a memória de um desafio como molde cultural de percepção e interpretação da realidade, e o faz respondendo pelo lado do outro, não mais dominado e fraco, mas como uma personagem que argumenta e se defende, expondo a sua voz e as suas razões. É uma espécie de singularização da voz, mas que, imediatamente, reverte à coletivização das vozes da necessidade e da carência. Mais do que o homem comum, do homem que não costuma ter voz e que, portanto, é falado pelo outro, segundo os valores e esperanças do outro que o vê. E a voz que ressoa desse homem comum é uma voz desconfortável, que desacomoda os saberes cristalizados por séculos de vozes direitas, brancas e razoáveis. (BALDAN, 2011)

Logo, percebemos pela sua linguagem um homem (no caso, o autor) está falando pelo outro, se colocando no lugar de um negro, de classe baixa, da periferia e ficcional, porque está escrito sem gírias e de forma reflexiva, mas ao mesmo tempo coloquial, sem deixar o estilo de linguagem do dia a dia. Usando, excessivamente, no lugar do pronome pessoal “nós” a forma “a gente”. Simultaneamente, o narrador descreve/relata e faz seu discurso revelando suas posições e opiniões.

Sempre, desde o início da literatura, é o rico, é o capital tentando, veja bem, tentando relatar e se colocar no lugar do oprimido. Aqui as coisas mudam, há uma inversão de perspectivas, agora nós sabemos o outro lado, estamos ouvindo de alguém que, aliás, não deveria, mas está por baixo. “A voz que narra é a voz que sofre o que está narrado.”

A escolha da focalização que desconforta o leitor e humaniza o outro lado que é visto como o lado marginal, o reverso da violência. Focalizar o assaltante é mais do que admitir que haja outro ponto de vista: é fazer com que a voz revoltada fique ecoando nos ouvidos dos leitores.

Freire prova com sua escrita que a violência, a criminalidade e a periferia estão presentes de modo recorrente no cotidiano das grandes cidades, assim como a desigualdade, o preconceito, a discriminação, e a injustiça social. Um fator leva ao outro. Essa desigualdade social no texto está sempre permeada por questões dicotômicas polarizadas: polícia-ladrão, negro-branco, pobre-rico, oportunidades-inoportunidades e tantas outras possíveis de identificar.

Apesar disso, no fim, como sempre em qualquer discurso a maior parte é tudo da boca pra fora, nada muda e nada é colocado em prática… Desse modo, ano após ano as mesmas coisas se repetem. Por isso, o último parágrafo tem somente uma palavra: Esquece, isto é, “Deixa pra lá! Quem se importa, não é mesmo?”

Resumão:

É bom ver a literatura contemporânea trabalhando temas sociais de forma honesta e pura, porque em outros períodos literários  você encontra tantas coisas possíveis de serem problematizadas na própria história, até mesmo na obra em si. Não obstante, aqui já foi diferente, a obra faz o extraliterário ser problematizado. Parece um texto tão simples, porém passe para o externo e perceba como tudo se amplia e se expande.

Infelizmente, esse tipo de literatura já não vende tanto, na era moderna histórias românticas voltadas aos adolescentes e jovens é bem mais vendido/consumido, parando no topo das listas dos mais vendidos, principalmente se recebeu uma adaptação para o cinema. Também, o que se retrata nesses tipos de histórias está sempre escancarado em jornais e nos noticiários, quando alguém compra um livro sempre é com a intenção e argumentação de espairecer ou fugir um pouco desse mundo. Enquanto algumas produções fazem os leitores voar e, portanto, ficar nas nuvens, essa de Marcelino os coloca de volta ao chão e ainda os faz “incorporar” esse personagem tão significativo.

O livro não é tão extenso, é curto, mas com muito “pano pra manga”, recomendo muito a sua leitura.

Referências:

BALDAN, M. L. O. G. A escrita dramática da marginalidade em Marcelino Freire. Ipotesi, Juiz de Fora, v.15, n.2 – Especial, p. 71-80, jul./dez. 2011

Filme: Minha vida sem mim

Filme: Minha vida sem mim

Essa é você. De olhos fechados, na chuva. Nunca pensou que fosse fazer algo assim. Você nunca se viu como, não sei como você se descreveria, como uma dessas pessoas que gostam de olhar para a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr do sol. Deve saber de que tipo de pessoa estou falando. Talvez não saiba. Seja como for, você gosta de ficar assim, lutando contra o frio e sentindo a água penetrando por sua camisa e tocando sua pele. E da sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés. E do cheiro. E do som da chuva batendo nas folhas. De todas as coisas que estão nos livros que você não leu. Essa é você (Minha vida sem mim, 2003).

Em uma destas minhas andanças pela Netflix, para fazer esta lista aqui, encontrei um filme que fazia muito tempo que procurava para ver. O filme é: Minha vida sem mim.

O longa-metragem, filmado em 2003, com direção e roteiro de Isabel Coixet e produzido pela El Deseo, produtora dos irmãos Agustín e Pedro Almodóvar, aborda a história de Ann (Sarah Polley)que aos 17 anos teve sua primeira filha e se casou com o único homem que teve contato físico e amou. Com Don (Scott Speedman), o marido desempregado que se transforma em construtor de piscinas, e suas duas pequenas crianças, ela mora em um trailer, no fundo do quintal de sua mãe. A jovem, então com 23 anos, trabalha a noite e cuida das filhas durante o dia. O casal parece apaixonado e em sincronia, apesar das dificuldades (que ela nunca reclama para ele), só que, determinado dia, ela desmaia e sua mãe leva-a ao hospital. Chegando lá, ao fazer uns exames, os médicos descobrem que Ann estava com um câncer nos dois ovários e, por suas células serem jovens, a doença já estava se espalhando para os outros órgãos, o que dificultou o encontro de um tratamento para retardar sua morte. Ann, ao saber do diagnóstico, opta por não fazer tratamento algum (exceto os analgésicos para aliviar a dor) e não contar para família. Essas decisões fizeram com que ela, paulatinamente, fosse se despedindo dos entes queridos e fizesse também uma lista de coisas para fazer antes de morrer, além de organizar a continuidade da sua vida sem sua existência.

Agora você tem vontade de tomar todas as drogas do mundo. Mas elas não vão mudar a sensação de que toda sua vida foi um sonho e só agora você está acordando.

O interessante desta lista dela é que os objetivos não eram formados por atos heroicos ou de conquista gigantesca, não! Eram coisas comuns que, devido o seu amadurecimento precoce e todos os afazeres que vieram com a fase adulta, ela não teve oportunidade de fazer, como beijar outros rapazes, se apaixonar por alguém diferente, dizer às filhas que as amava, levar as crianças à praia e até mesmo encontrar uma nova esposa para seu marido.

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Ao contrário do que se espera em uma situação como essa, Ann não se desesperou, na sua narração (a história é narrada pela garota, então há um fluxo de consciência intercalado com acontecimentos diários e diálogos), ela continuou com sua vida normalmente, sem o desespero frente ao fim. Ela era menina que nunca ousou, que nunca falava o que pensava ou questionava alguém. Ela simplesmente ouvia todos, enquanto que ninguém ouvia o que ela queria dizer.

Quer saber por que estou vomitando? Quer mesmo saber? Estou vomitando porque, aos 8 anos ouvi minha melhor amiga dizer a todos que eu era uma vagabunda. Estou vomitando porque, aos 15 não fui convidada para a única festa à qual eu já quis ir na vida. E, aos 17, tive meu primeiro bebê e tive de crescer da noite para o dia. E não tenho mais sonhos. Sem sonhos, não dá para viver. Estou vomitando pois não vejo meu pai desde que foi preso. Não tenho nada dele, nem sequer uma droga de postal…E, em todos os comerciais estão todos felizes e, o dia todo, minhas filhas cantam as músicas idiotas desses comerciais idiotas […].

O momento em que Ann acorda é quando ela percebe que só terá dois – as vezes três – meses de vida. E é quando ela passa a gravar fitas com despedidas/congratulações/justificativas/declarações de amor para as filhas, para o marido, para a mãe e para o Lee (Mark Ruffalo).

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Lee, interpretado fofamente, é a pessoa pela qual Ann conquista, para também se apaixonar por ele. O interessante dessa relação é que, diferente das que permeavam seu dia-a-dia, com Lee, ela poderia se abrir e falar qualquer coisa que ela quisesse, mas ela se cala. Não derrama nele todos os dramas, todas as solidões e problemas cotidianos, ela só ama. E recebe amor. Algumas pessoas podem dizer que essa atitude dela corresponde à traição ou ao egoísmo, em contrapartida, só consigo ver uma mulher, prestes a morrer, que quer ter experiências que a rotina ou as circunstâncias da vida tiraram dela. Vejo uma mulher que ama seu marido (e é amada por ele), que ama suas filhas, mas que precisa de mais. De emoção. Ela precisa sair do trailer. Ela precisa sentir. Ela precisa fazer algo. É isso que, mesmo de maneira limitada, ela consegue alcançar no transcorrer do filme.

Alguns de nós não podem levar o tipo de vida que algumas pessoas querem. Por mais que a gente tente não consegue… É difícil, sabe… amar alguém e não conseguir fazer a pessoa feliz. É como se você amasse essa pessoa, mas não conseguisse amá-la como ela deseja.

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Vemos então, em tons pasteis, com mudanças e enquadramentos de câmeras que aproximam o personagem dos telespectadores, uma história que não é sobre morte, nem sobre a doença (um toque genial do roteiro). É um drama, mas não é um dramalhão. É quase clichê, mas não é piegas. É realista e verossímil. O filme é, sobretudo, a respeito do amor, dos sonhos, sobre a saudade (a única coisa que podemos deixar às pessoas que nos amam). Nobreza é isso: reconhecer nossa efemeridade e esperar que a saudade que fica, ao partirmos, seja bela, já que, conforme o filme nos mostra, a vida não é para sempre, o que é definido talvez seja só a saudade, a nostalgia.

Você reza para que essa seja sua vida sem você. Reza para que as meninas amem essa mulher que tem o mesmo nome que você e para que seu marido também acabe amando-a. E para que eles morem na casa ao lado e as meninas brinquem de casinha no trailer… E mal se lembrem da mãe delas que dormia de dia e fazia passeios de jangada com elas, na cama. Você reza para que tenham momentos de felicidade tão intensa que faça todos os problemas deles parecerem insignificantes. Você não sabe para quem está rezando , mas reza. Você nem se quer lamenta a vida que não vai ter porque você já estará morta e os mortos não sentem nada e nem lamentam.

O filme não é algo OH MEU DEUS É ARREBATADOR RUPTURA PURA GENTE QUE COISA OUSADA, mas também não é um drama qualquer. É o típico filme que nos tira da nossa zona de conforto. Que nos leva a refletir: o que estou fazendo com minha vida? se eu morresse daqui dois meses, o que eu faria agora? o que eu deixaria para trás? para quem? o que seria da minha vida sem mim? Pensar nisso é mais pesado do que a proposta do filme. Além disso, o filme tem o beijo mais desesperado que eu já vi, no final, com aquela mistura de choro, beijo e fim eminente, sabem?

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Ps. A trilha sonora tem The Beach Boys, God only knows. O que faz o choro ser lírico (riso)

Assistam, depois me digam qual foi a experiência de vocês!
Beijos,
Re.

 

Netflix: algumas dicas, parte I

Netflix: algumas dicas, parte I

Todo mundo deve concordar comigo que, enquanto a nossa internet é ilimitada, a linda Netflix é uma das coisas mais bonitas que inventaram, para os amantes da sétima arte, certo?

O problema, para alguns que utilizam esse provedor global de filmes e séries, é encontrar, entre tantas opções, algo para assistir. Pensando nisso, vou criar numa lista de filmes que já assisti, que gosto e que estão lá só esperando o clique de vocês, tudo bem?

  • Bonequinha de Luxo

Filme estrelado por Audrey maravilhosa Hepburn que interpreta uma garota de programa nova-iorquina que quer casar-se com um milionário. Uma personagem inocente, mas ambiciosa, que toma seus cafés da manhã em frente à famosa joalheria Tiffany’s, na intenção de fugir dos problemas, por ficar próxima aos diamantes. Seus planos mudam quando conhece Paul Varjak (George Peppard), jovem escritor, com quem a mulher se envolve. Apesar do interesse em Paul, Holly reluta em se entregar a um amor que contraria seus objetivos de tornar-se rica. O filme é baseado em um livro com o título original Breakfast at Tiffany. O destaque desse filme concentra-se na atuação da Audrey Hepburn, porque ela se entrega de tal maneira à interpretação, que consegue mostrar ao telespectador uma jovem extremamente doce e carismática, com um jeitinho sonhador, confuso e engraçado.

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Uma boa resenha sobre o filme, você encontra em leitoresdepressivos

Se vocês gostam de filmes clássicos, na Netflix tem títulos como: Janela Indiscreta, Johnny & June, Um corpo que cai, Thelma & Louise, A onda, Um drink no Inferno, Psicose, Ladrão de Casaca, Aconteceu naquela noite, Juventude Transviada, Touro Indomável, O sol é para todos, Joe Kidd, Três homens em conflito, Perseguidor Implacável, O Grande Gatsby (de 1974).

  • Manhattan

Para quem gosta do Woody Allen, a Netflix disponibiliza alguns filmes do diretor. O meu preferido dele é Manhattan, pois mostra o cuidado visual com que foi filmado, com destaque à magnífica fotografia de Gordon Willis, que filma as sombras com uma incrível beleza, além de que o filme tem a qualidade de ser um Film Noir. O longa se desenvolve em torno de um roteirista de televisão (Isaac, personagem do Woody), que está divido entre a namorada, de 17 anos, e um romance com a amante do melhor amigo, o que suscita, em Isaac, várias questões existenciais, como a famosa pergunta: “Por que vale a pena viver?”, que leva à resposta do personagem de Woody Allen citando “Groucho Marx, Joe Di Maggio, o segundo movimento da sinfonia ‘Júpiter’, de Mozart, Louis Armstrong, ‘A Educação Sentimental’, de Flaubert, os filmes suecos, Marlon Brando, Frank Sinatra, as maçãs e peras pintadas por Cézanne, os caranguejos do restaurante Sam Wo e o rostinho de Tracy”. Tudo isso na cidade de Nova Iorque.

Boas resenhas sobre o filme: ajanelaencantada e planocritico

Vocês ainda podem encontrar outros títulos desse diretor, como: Para Roma com amor (eu não gosto desse filme, mas vale ver para criticar, riso), Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (que é ótimo! Depois de Manhattan, é meu preferido!), Você vai conhecer o homem dos seus sonhos, O escorpião de Jade, Blue Jasmine (aquele que venceu um dos Oscar, recentemente), Amante a domicilio (que tem uma ideia muito boa pro enredo, sem contar que o protagonista é maravilhoso), Meia-noite em Paris (que é bonzinho) e um documentário sobre ele: Woody Allen: um documentário.

  • Taxi Driver

Taxi Driver, depois do Poderoso Chefão, está entre minhas preferências de filmes estrelados por De Niro. É um baita clássico, com cenas geniais, que até faz parte da cultura popular ocidental.

O filme, de 1976, filmado por ninguém menos que Martin Scorsese, gira em torno da trama de um ex-fuzileiro (interpretado por Robert De Niro) que busca um sentido para a sua vida, caindo, por isso, em questões quase obsessivas, como as tentativas falhadas de criar laços: Primeiro por uma moça que ele leva para assistir um filme pornográfico, depois por um candidato politico. Entretanto, as relações interpessoais do personagem não funcionam muito bem.

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Resenhas sobre o filme: conversasdecinema e cafecomfilme

  • Último tango em Paris

Não preciso dizer que gosto do Marlon Brando, não só pelo seu jeito ‘anarquista’ para atuar, mas também pelo ótimo resultado em Poderoso Chefão e no filme Último tango em Paris (filme gravado concomitantemente com as filmagens do Poderoso Chefão).

O filme é um drama erótico franco-italiano de 1972 gravado em 35 mm, dirigido por Bernardo Bertolucci (o mesmo de The Dreamers). O enredo se baseia em Paul (Brando), um americano de meia-idade em Paris, que se encontra, num apartamento anunciado para aluguel, com uma jovem parisiense de espírito livre, Jeannie (Schneider). Sem se conhecerem, começam a ter relações sexuais no local. Paul exige que eles não troquem qualquer tipo de informação um do outro, nem mesmo seus nomes e, depois disso, os encontros se tornam frequentes até que eles se desencontram, nesse relacionamento doentio, desiludem-se  e rola uma tragédia. O lance do filme, que eu particularmente gosto, é notar como Brando desenvolve personagens (Paul x Corleone) tão distintos, num mesmo período. Dizem que, assim como em filmes anteriores, o ator se recusou a decorar suas falas em várias cenas. Ao invés disso, ele escrevia as falas em cartazes espalhados pelo set de filmagem e deixava o problema de não enquadrá-los na câmera para Bertolucci e Storaro. Outro destaque é a tão famosa – e polêmica – cena de sexo anal que rola em determinado momento do longa, que vale a pena ver para problematizar.

  • Trainspotting

Filme de 1996, foi baseado em livro homônimo de Irvine Welsh, com roteiro de John Hodge narra a história sob a perspectiva de Mark Renton (Ewan McGregor), um jovem escocês que, para escapar da vida entediante e frustrante de sua cidade, se entrega ao uso da heroína ao lado dos amigos Spud (Ewen Bremner), Lizzy (Pauline Lynch), Sick Boy (Jonny Lee Miller) e Tommy (Kevin McKidd).

Não gosto muito desse filme (acho que sobre a temática tem alguns outros melhores, como Enter the Void, do Gaspar Noé – já que é pra ser pesado, vamos ser pesado, né?), mas acho que tem pessoas que se interessariam em saber que ele está disponível na Netflix.

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Resenhas bem desenvolvidas: obviousmag e cinemaedebate

  • Django

Um dos meus preferidos do Tarantino, Django está todo lindo e novinho na Netflix!  Filme de 2013, é ambientado no sul dos Estados Unidos dois anos antes da Guerra Civil. Estrelado por Jamie Foxx, como o Django, o longa traz como personagem um escravo cujo histórico brutal com seus ex-senhores o coloca cara a cara com o caçador de recompensas alemão, dr. King Schultz (Christoph Waltz – o mesmo que interpreta o general alemão, em Bastardos Inglórios).  Django, em determinado momento, é ‘livre’ pelo alemão e juntos vão atrás do  único objetivo do ex-escravo: encontrar e resgatar Broomhilda, a esposa que ele havia perdido para o tráfico de escravos há muito tempo. A busca deles acaba levando-os até Calvin Candie (Leo DiCaprio), o proprietário de Candyland. Explorando a fazenda sob falsos pretextos, Django e Schultz despertam a desconfiança de Stephen (Samuel L. Jackson), o fiel escravo doméstico de Candie, o que desencadeará algumas ações que culminarão em um final grandioso.

O que posso falar é: o filme conta com uma trilha sonora genial, fotografia linda, atuações GRAN-DE-O-SAS (Leo até cortou a mão em uma cena, com cacos de vidro, mas, mesmo assim, continuou atuando lindamente, usando seu sangue para incrementar uma cena do janar!). Figurino e roteiro maravilhosos. E ainda traz um Tarantino sendo explodido.

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Além do Django, é possível ver outros filmes do diretor, como o Kill Bill (o 1º e o 2º), Pulp Fiction, Um Drink no Inferno, Bastardos Inglórios e o Cães de Aluguel (WOW!!!)

Resenha: UOL

  • Drive e O Profissional

No gênero ação, vocês poderão encontrar filmes como Jogos Vorazes (visto com um olhos atentos para a ambientalização, o filme é ótimo), Clube da Luta, V de Vingança, Matriz (todos eles), Into the Wild (baita fotografia e trilha sonora, sem contar a atuação do mocinho), Star Wars, Scarface (Al Pacino em toda sua glória), Invasão a Casa Branca, Senhor dos Anéis, O Hobbit IOs Irmãos Grimm (não faz muito jus à história dos irmãos, mas é um filme legal por conta das cenas do gênero fantástico-maravilhoso), Os indomáveis, Cão de briga (é super legal ver as cenas de luta protagonizadas por Jet Li), e, entre eles temos dois filmes que merecem destaque: Drive e O Profissional.

O primeiro, um filme estadunidense de 2011, dirigido por Nicolas Winding Refn, tem como protagonista o MARAVILHOSO DEUSO Ryan Gosling.

drive-31Durante o dia, o motorista, personagem do Gosling trabalha como mecânico e dublê automobilista de filmes de Hollywood, mas, no período noturno, ele se dedica como piloto de fuga para bandidos e mafiosos. É também vizinho de Irene (Carey Mulligan, a maravilhosa de Educação), uma garçonete que é casada e tem um filho com um presidiário. Ao aproximar-se da moça e da criança, o maravilhoso-drive começa a criar um forte relacionamento com ambos até a volta do marido de Irene. Percebendo a situação difícil de ex-preso, o protagonista se dispõe a ajudá-lo num assalto que pagaria sua dívida aos criminosos. Só que o golpe dá errado, o que coloca em risco as vidas do motorista, Irene e seu filho, o que faz com que o bom-moço-com-cara-de-anjo se transforme e vire um baita dum lutador-matador-pancadaria-mesmo.

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Resenha legal: pitangadigital

O segundo filme, O profissional, no Netflix é a versão não-estendida, mas que, mesmo assim, é genial de assistir.

O filme conta com duas atuações primorosas: Nathalie Portman (com 11 anos), na personagem de Mathilda e o Jean Reno, que interpreta o quase paternal Leon. Leon é um assassino profissional que conhece Mathilda, uma garota de doze anos de idade que vive com a sua família “problemática”. Um dia, a família da garota é assassinada e ela se refugia com Léon e tenta convencê-lo a lhe ensinar seu “ofício” para que ela possa vingar a morte do irmão. Em determinado momento, Leon mata um dos policiais envolvidos na morte da família de Mathilda, o que desencadeia uma perseguição enfurecida dos colegas desse policial. Este matador profissional arrisca sua vida numa tentativa de escapar de uma cilada e salvar Mathilda.

É um daqueles filmes que nos fazem soluçar de puro desespero-melancolia no final, sabe?

Resenhas: pontojao e apogeudoabismo

  • Melancolia

Melancolia (2011) é um longa-metragem de um dos meus diretores contemporâneos favorito: Lars Von Trier. Pelo nome, penso que vocês já imaginam que esse não é um filme que te fará rir, porque não é mesmo. Quando Lars o produziu, a intenção era de fazer uma continuação para a futura trilogia advinda do filme Dogville, mas, devido ao período de uma grande depressão do diretor, ele optou para filmar essa grande obra melancólica.

Esse filme é extremamente lindo, tanto no conteúdo, quanto no efeito visual: “Melancolia, começa em ultra slow motion, num prelúdio do que acontecerá mais adiante. O resultado é um filme visualmente muito elaborado, com inspiração em pinturas pré-rafaelitas e alemãs, música de Beethoven (como a “Nona sinfonia“) e traduzindo a habitual visão niilista do diretor sobre a vida e as relações humanas. Não escapa nem o destino do planeta” (G1).

Resenhas/análises/artigo sobre o filme: pepsic, virgula.uol, espacoacademico escrevalolaescreva

  • Smashed

É um filme que eu vi faz um tempo, mas encontrei por acaso na internet. É uma produção com grande potencial, pois traz, com uma abordagem bem sutil, os problemas que pessoas com vício em bebidas alcoólicas enfrentam e o que podem fazer para superá-lo. Parece um enredo batido,  porém a direção, a fotografia e os atores contribuem para que o filme seja um tanto quanto ‘inovador’ nessa temática.

A trama gira em torno de um casal composto por Kate (Mary Elisabeth Winstead), uma jovem professora primária e Charlie (Aaron Paul – o Jesse maravilhoso do Breaking Bad). A primeira vista,a vida deles parece nos eixos, mas ao observarmos com atençãoé possível percebermos as graves falhas no relacionamento dos dois. Kate e seu marido são jovens boêmios que celebram a vida de forma exagerada noite após noite. Até um dia em que ela acorda, na rua, sozinha, sem recordar do dia anterior, por ter passado a noite fumando crack. Então, ela resolve se livrar do vício, só que o marido não aceita acompanhá-la e a problemática se instala!

Resenhas: criticadaquelefilme e cinepop

  • Jeff e as armações do destino

Desde How I met your mother, eu adoro o ator Jason Segel (O Marshall da série). Jeff (Jason Segel) é um grandalhão de trinta anos, mas que ainda mora com a mãe (Susan Sarandon), onde ele passa o dia fumando maconha, assistindo TV e ponderando sobre a vida. Ao receber uma ligação por engano à procura de um Kevin, ele acredita que isso possa estar relacionado a uma série de eventos que são mais do que apenas coincidências. Em busca de um sentido para essa ordenação, Jeff encontra seu irmão Pat (Ed Helmes) e o ajuda a descobrir se a cunhada (Judy Greer) está tendo um caso. Enquanto isso, Sharon (a mãe) tenta lidar com misteriosas mensagens instantâneas de um admirador secreto no escritório onde trabalha (poseseneuroses).

O legal do filme é a proposta de demonstrar a incapacidade de alguns homens em se comportarem como adultos. Não é inovador, certo? Mas o Jason coube certinho no personagem e deu um charme legal pro filme.

Resenhas legais: resenhafilme e ovodefantasma

Nessa linha de comediazinha bonita de ver, temos ainda, na Netflix: As vantagens de ser invisível, Little miss sunshine, About time, A delicadez da amor (com a deusa Audrey Tautou), Procura-se um amigo para o fim do mundo (MARAVILHOSO!), Intocáveis (não é bem uma comédia, mas você ri e chora na mesma proporção nesse filme francês), Juno, Jovens adultos, Amar… não tem preço (também com a Audrey), O terminal, Os acompanhantes, Por uma vida melhor, De caso com o acaso.

  • O verão de Skylab

Para fechar essa primeira parte, bem bem genérica, de ‘dicas na Netflix’, sugiro que vocês assistam O verão de Skylab.

De modo geral, esse filme traz a história de Albertine. Em julho de 1979, ela era uma menina de dez anos, quando os seus parentes se reunem na casa de campo da família para celebrar o aniversário da avó. Para completar, naquele verão, todos acreditavam que um pedaço do Skylab – estação espacial da NASA que se desintegrou quando sua órbita decaiu – irá cair nas suas cabeças.

Qual é a graça desse filme? Vou dizer que: Sabem a Céline, da trilogia “Antes do amanhecer”, interpretada pela Julie Delphy? Então, essa maravilhosa atriz é também roteirista e diretora excepcional. Tão genial que, além desse que tem disponível na Netflix,   ela também desenvolveu  o cultuado filme Dois Dias em Paris, de 2007 .O Verão de Skylab, é um  projeto bastante pessoal, pois a francesa resgata suas memórias de infância, reúne um enorme elenco e realiza um filme leve e cheio de graça sobre uma família. A fotografia e figurino e diálogos e elenco e toda a produção do filme são lindos de se apaixonar. Sem contar que é possível ver, nesse filme, a cultura familiar francesa e, de certa forma, identificarmo-nos com o nosso próprio meio social-familiar, mesmo com nosso jeito brasileiro (e até mais conservador que a família do filme, pensando que caracteriza a década de 70-80, na França) e singularidades, sempre teremos as memórias infantis, que guardam o primeiro beijo, a primeira dança, os momentos com a família reunida, as brigas,  discussões políticas, os primos infernais…

Resenhas: folha.uol e cinemacomrapadura

Pensei em fazer mais três etapas desta ‘lista’ de filmes: dramasuspense/românticos/brasileiros e séries. Lembrando que isso tudo é só opinião, eu posso achar legal, vocês não e etc., mas acho que o lance mesmo é indicar, para que vocês vejam e depois podemos até conversar sobre os filmes. Legal né? :*

Aproveitem o feriado!

Videoclipe: Runnin’ (Lose it All) [ft. Beyoncé & Arrow Benjamin], Naughty Boy.

Lead title: Amor submerso. O que uma produção pode nos proporcionar?

Introdução/Contextualização:

Ouvimos e vimos a beleza desse clipe subaquático de Runnin (Lose it All), parceira musical de Naughty Boy, Beyoncé e Arrow Benjamin, simultaneamente na noite de quinta-feira (17/07/2015), dia em que foi liberada na íntegra nos serviços de download e streaming e, como de costume no Reino Unido,  o vídeo foi divulgado na conta VEVO do produtor britânico. A música recebeu críticas positivas dos maiores sites e críticos especializados, mais precisamente pelo arranjo e vocais.

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A belíssima produção audiovisual foi dirigida por Charlie Robins (o mesmo do clipe Not Letting Go, do rapper Tinie Tempah e Love Again, de Rae Morris) e as belas imagens e coreografias são responsabilidade da cinegrafista especializada em filmagens debaixo d’água Julie Gautier, fundadora da Les Films Engloutis, que co-dirigiu Ocean Gravity com Guillaume Nery, inclusive o vídeo é inspirado nesse curta-metragem.

O vídeo foi filmado em Rangiroa, nordeste de Tahiti, na Polinésia Francesa ao longo de quatro dias.

Discutindo a concepção do vídeo, Robins disse: “A fim de alcançar o efeito que estávamos dispostos a realizar, tivemos que filmar no meio de três correntes: uma rápida, uma profunda e uma outra muito perigosa em uma lagoa, esta foi a que deu-nos o impulso para a frente visto por você no clipe. Os atores não usaram tanques para o ar, portanto tudo que você vê foi feito prendendo a respiração, às vezes até seis minutos a uma hora. Eu ainda não consigo acreditar como eles fazem isso.” Incrível, não?

Percepção própria sobre a obra:

O vídeo em si se passa embaixo da água e mostra um casal, interpretado por praticantes de mergulho livre Guillaume Nery e Alice Modolo, correndo para se encontrar no fundo do oceano. Por outro lado, se você pensar em figuras de linguagem, mais especificamente em questões metafóricas, perceberá que o casal separado está afogado em mágoas, tristezas e perdidos. Por isso, as primeiras imagens são do ambiente marítimo, em seguida imagens do casal parado em uma posição recolhida e tristes, sofrendo as dores da separação.

Com a tradução da letra prova-se que a representação visual é a mesma que está relatada nos primeiros versos:

Estas quatro paredes mudaram a forma como eu me sinto
A forma como eu me sinto, estou aqui parado
E nada mais importa agora, você não está aqui.

Quando chega ao refrão e a cantora afirma:

Não vou mais fugir de mim mesma
Juntos vamos vencer tudo
(…)
Estou pronta para enfrentar tudo
Se eu me perder, eu perco tudo (essa é a frase que mais ecoa e a mais marcante: If I lose myself, I lose it all).

Assim, decidem ir um ao encontro do outro, até mesmo quando se reencontram giram em círculo, pensando se é isso mesmo o que querem, até que na hora da reconciliação – o que foi difícil, um caminho não muito transitável, com vários obstáculos – o vídeo já está no final e, quase como num passe de mágica, todo aquele sentimento some, na verdade, os próprios atores somem, se elevam.

Podemos usar o mesmo argumento de algumas outras resenhas aqui: clipe minimalista, porque só tem um pano de fundo e dois personagens, mas que é tão rico, se você pensar nos sentidos ofertados pela figura de linguagem. Simples e bonito.

Todo o produto final foi muito bem coreografado e trabalhado, visto que há ângulos improváveis da questão do peso e baixa gravidade corporal embaixo da água, de quando estamos submersos. Além da interessante premissa, a coreografia, captação de imagens e edição que explora incrivelmente os ângulos. E as posições de câmera? Estrategicamente direcionadas e movimentadas, tudo para dar a sensação de que estamos participando das cenas. A fotografia é linda, enquanto que foi bem cuidadosa a edição.

PS: O clipe casa muito com a letra da canção, como percebido, e até o diretor falou que é mesmo metafórico.

Ao aliar as figuras de linguagens, percebemos que se cria uma linda produção, composição e interpretação, que beira o lirismo, a poesia, já que possui vários sentidos, várias interpretações, vários olhares, que ocorrem por intermédio das diversas metáforas e jogos imagéticos presentes na produção musical/visual.

Peça de teatro: ENTRE NÓS

Peça de teatro: ENTRE NÓS

Em 2012, Entre Nós, uma peça de teatro, foi vencedora em três categorias do Prêmio Braskem de Teatro, prêmios que correspondiam como: Melhor Espetáculo, Melhor Ator – Igor Epifânio – e Melhor Texto.

A peça contou com a participação de João Sanches, com texto, direção, figurino e iluminação, Igor Epifânio e Anderson Dy Souza, no elenco, e Leonardo Bittencourt responsável pela trilha sonora, apresentada ao vivo.

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Você pode ver o trailer da peça aqui.

Assisti à peça Entre Nós, em uma apresentação feita no teatro Baração, na cidade de Maringá. O teatro estava lotado por um público, em sua maioria, jovem.

Já na fila para adentrar ao teatro, os jovens presentes comentavam sobre a peça e seus atores. Eu estava bem curiosa ouvindo os comentários, como não tinha lido nada sobre a peça, nem sobre os atores, fiquei inquieta para que começasse logo.

Quando abriu a porta para que o público pudesse se acomodar em seus lugares, percebi uma disputa pelos melhores lugares, já que as cadeiras não eram numeradas. Chegando próximo da entrada, uma surpresa boa: o ator Igor, cumprimentava um a um dos que formariam a plateia. Em seguida, uma outra surpresa: o ator Anderson, estava do lado de dentro do teatro fazendo o mesmo. Fiquei encantada com a atitude dos atores. O espetáculo me conquistou antes mesmo de começar, até porque, além da recepção calorosa, os organizadores tiveram uma preocupação em proporcionar uma interprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

Encontrei um lugar para sentar que eu pudesse ter uma visão total do palco e, ao pensar que nada mais me surpreenderia, vi que no palco não tinha cenário, apenas um guitarrista (Leonardo Bittencourt), uma mesa com uma espécie de máquina para fazer alguns tipos de efeitos, como fumaça, e mais os dois jovens e talentosos atores, Igor Epifânio e Anderson Dy Souza. Ao pensar que a peça se iniciaria como acontece em geral nas peças, isto é: as luzes se acendem e os atores começam o trabalho; ali não. Os atores já estavam no palco e começaram a conversar com a plateia, se apresentaram, então, começaram a falar sobre diversidade sexual, parecia quase uma palestra, para nos contextualizar.

Um pequeno contexto (quase igual ao da peça, rsrsrs):

 A peça trata da questão de diversidade sexual. Mas, o que é a tal diversidade? Procurei no Michaelis, que define di.ver.si.da.de como: sf (lat diversitate) 1 Qualidade daquele ou daquilo que é diverso. 2 Diferença, dessemelhança: Diversidade de interpretações. 3 Variedade: Diversidade de dons. 4 Contradição, oposição. Antôn (acepção 2): unidade; (acepção 4): harmonia.

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Ao pensar nessa definição, caio no termo homossexualismo que, hoje, pensando em nosso contexto histórico-político, com qualquer Bolsonaro disseminando discursos de ódio, está em discussão (o que é super válido, não é?). Refletindo, então, na formação da palavra citada, vemos que o sufixo –ismo (homossexualismo), se refere a tipos específicos de doença, utilizado pelo discurso médico principalmente para identificar o sujeito homossexual.

 O sufixo –ismo reforçou na representação da palavra os pressupostos da época (religioso-moralista, médico-patológico, jurídico-criminal) para os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, ou seja, algo de natureza anormal, essencialmente patológico, doente, desviante, perverso, pecaminoso (FURLANI, 2007, p. 153).

Então, a descrição médica do sujeito homossexual criou uma posição social desse sujeito, na sociedade da época, mas que persiste no imaginário de muitas pessoas da nossa sociedade contemporânea.

Por sorte, em 1985, o Conselho Federal de Medicina, no Brasil, anulou o parágrafo 302.0 do Código Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS), para que, perante a Lei, o homossexual não fosse visto como uma pessoa doente, que pode ser ‘curada’. Entretanto, apesar dessa medida, percebemos que a heterossexualidade ainda é a relação “normal” ou “regra”, pois, infelizmente, na nossa sociedade a criança nasce e é educada para seguir o gênero “correto” e, a partir disso, ela é obrigada a sentir atração pelo sexo oposto.

A peça

amor

A peça é encenada por dois atores, Igor Epifânio e Anderson Dy Souza, que tentam inventar, na hora, uma história de amor entre dois jovens gays. Para isso, eles se revezam na criação de treze personagens, enfrentam uma série de situações conflitantes e engraçadas até decidirem o destino dos protagonistas Rodrigo e Fabinho, num diálogo direto com a plateia e com intervenções de música ao vivo.

Entre Nós é uma comédia sobre a diversidade sexual, que deixa o público encantado e eufórico do começo ao fim. Os atores arrancam muitos risos da plateia. Com um enredo metalinguístico e didático, a peça instiga o público a aceitar uma relação entre dois garotos que ainda estão cursando o ensino médio.

Assim, inicia-se a obra:

ATOR1
Bom dia a todos.
ATOR2
Bom dia.
ATOR1
Eu sou o Ator 1.
ATOR2
Eu sou o Ator 2.
GUITARRISTA
Eu sou o guitarrista.
ATOR1
E nós estamos aqui pra…
ATOR2
Pra falar sobre Diversidade.
ATOR1
Diversidade é uma palavra ótima.
ATOR2
Eu adoro essa palavra.
ATOR1
Mas nós estamos aqui para…
ATOR2
Para falar, especificamente, sobre Diversidade Sexual.
ATOR1
Sexual também uma palavra ótima.
ATOR2
Mas o tema Diversidade Sexual tem lá as suas polêmicas.
ATOR1
O que é curioso, porque se tem uma coisa que quase todo mundo gosta é de sexo.
ATOR2
Sexo é um assunto polêmico. Mexe com a intimidade das pessoas.
ATOR1
Juntando com o quesito Diversidade então, é polêmica que não acaba mais.
ATOR2
Porque diversidade aí não significa apenas as infinitas posições sexuais.
ATOR1
Diversidade aí significa, principalmente, as diversas manifestações da sexualidade humana.
ATOR2
As diversas práticas sexuais entre as pessoas.
ATOR1
Práticas sexuais ENTRE as pessoas ou práticas sexuais DAS pessoas? Porque você sabe que tem gente que curte um jumento, uma galinha…
ATOR2
Eu não acho interessante abordar a questão “sexo com animais”.
ATOR1
Mas essa questão diz respeito ao tema diversidade sexual. No interior mesmo, muita gente…
ATOR2
Diz respeito sim. Mas talvez seja mais interessante abordar a questão das diversas combinações sexuais entre seres HUMANOS.
Ok. Por falar em partes envolvidas, é bom lembrar que o tema diversidade sexual não está relacionado ao ato sexual propriamente dito.
ATOR1
Com certeza. A questão são as relações afetivas como um todo. Os diversos tipos de envolvimento.
ATOR2
Isso! Na verdade, é sobre isso que nós estamos aqui para falar. Sobre os diversos tipos de envolvimento.
ATOR1
Na verdade verdadeira, nós NÃO estamos aqui para falar, nós somos atores e estamos aqui para fazer uma peça.
ATOR2
Mas, para isso, precisamos falar.
ATOR1
Sim, mas a gente pode abordar o tema através de uma história. Interpretando
personagens.
ATOR2
Sim! Claro. Pro pessoal não achar que é uma palestra.
ATOR1
Se bem que todo mundo sabe que isso aqui é uma peça.
ATOR2
E que já começou.
ATOR1
O que ninguém sabe é qual é a história dessa peça.
ATOR2
Mas estamos aqui pra isso. Pra contar a história dessa peça
ATOR1
Pra fazer a história dessa peça.
ATOR2
Ok. Então vamos à história.
ATOR1
Ok. A história
ATOR2
Então.
ATOR1
A história…
ATOR2
?
ATOR1

ATOR2
Sim?
ATOR1
Pois é.
ATOR2
Ah…
Vamos fazer uma história de amor?

Você pode encontrar o diálogo aqui

Como vocês podem ver, aos poucos, dá-se sentido à estória e se desenvolve os personagens Rodrigo e Fabinho. O que parecia uma palestra, transforma-se numa narrativa bem-humorada, que agradou ao público presente.

E nesse ‘quase’ improviso, os atores Igor e Anderson, sem troca de figurinos, interpretam uma garota assanhadinha, um colega da escola homofóbico, uma mãe super protetora, um pai machista e uma diretora de uma escola cristã “sem preconceitos, mas com princípios”, uma cafetina e também o pai e uma mãe de um colega de sala, entre outros.

Com isso, percebo uma pluralidade de olhares sobre o tema. A diversidade de olhares, com uma simplicidade tocante, pois o enredo mostra ao público cenas quotidianas, comuns, que acontecem a qualquer pessoa, independente do seu gênero, mas que, normalmente, situações como as apresentadas atingem de maneira mais forte, mais dura, minorias como a mulher, o gay, o pobre.

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Fotos: Mariana Kateivas

O final da peça é inovador e surpreendente (é muita surpresa, minha gente), porque os atores deixam a plateia decidir: Fabinho e Rodrigo ficam juntos com um beijaço ou finaliza a peça e cada um faz a sua interpretação, uma estratégia bem machadiana, como se o autor chamasse o narratário (no caso o público), para decidir o desfecho de toda trama, pensaram em Dom Casmurro, é? Assim como o leitor do livro do Machado de Assis, nessa apresentação, também tivemos a chance de decidirmos: merece beijo ou não merece? (riso!), só que a diferença está na chance do final se concretizar, naquele momento.

Cena final:

ATOR2
Você perdeu. Vai ter o beijo.
ATOR1
Tudo bem. Eu sou um ator. Se é pra beijar, eu beijo.
ATOR2
Ótimo.
Tenho até uma proposta de texto.
Uma poesia de Fernando Pessoa.
Música, Guitarrista.
FABINHO
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto…
ATOR1
Esse soneto é de Vinicius de Moraes
ATOR2
É?
ATOR1
Não dá pra confiar cem por cento no Google.
ATOR2
Mas a poesia é bonita.
ATOR1
Que tal a gente tentar ser só um pouquinho menos óbvio? A gente pode improvisar uma música com os finais de todos os personagens, é melhor.
ATOR2
Ao invés de uma, vamos fazer várias cenas?
ATOR1
Não. Apenas uma cena musicada.
Olha. De boa, para uma peça sobre diversidade, eu acho que gente ficou muito concentrado no casal gay adolescente.
ATOR2
Você queria o quê? Um casal gay da terceira idade? Um casal de lésbicas? Uma trama com travestis? Transexuais? Eu adoraria, mas você resiste em interpretar um beijo gay, quem dirá…
ATOR1
Eu não resisto não! Eu já disse que beijo!
Olha, deixa a música pra lá.
É pra beijar, eu vou beijar.
Pronto.
Eu vou te beijar AGORA!
ATOR2
Calma. Tem que pensar como introduzir a cena primeiro
ATOR1
Não importa mais como introduzir. O importante agora é dar o beijo e pronto
ATOR2
Como introduzir é importante sim. Até porque são os personagens que se beijam!
ATOR1
No final das contas, dá no mesmo
Aliás.
Fala a verdade. Essa história de personagem é papo furado.
Você quer é que eu te beije! É isso!
Pronto. Falei.
E vocês apoiando, né?
ATOR2
Não venha não. Todo mundo aqui sabe que a gente está interpretando personagens.
A história é que pede um beijo.
ATOR1
A história, a plateia e você também!
ATOR2
Não adianta tentar me constranger.
ATOR1
Você está constrangido?
ATOR2
Você está tentando, mas não está conseguindo
ATOR1
Eu estou tentando te beijar. Mas quem está resistindo agora é você.
ATOR2
Não se preocupe com o beijo – se concentre na cena.
ATOR1
Rapaz, a cena é essa:

(O ATOR1 beija o ATOR2 surpreendentemente. A partir daí, os dois não param mais de se beijar. O GUITARRISTA (que merece um super destaque, já que produziu uma trilha sonora de alta qualidade) toca um fundo musical para a cena e tenta encerrar a peça. Mas os dois atores continuam se beijando.)

GUITARRISTA
Meninos, tá bom.
Já deu.
Galera, a peça acabou.
Meninos, tá demais..
Muito obrigado a todos.
Foi um prazer.
Meninos…

 Diante de uma votação o público maringaense escolheu o beijo. E que beijo!

bj

Foto: Mariana Kateivas

Programa Petróbras

O espetáculo foi selecionado pelo Programa Petrobrás Distribuidora de Cultura 2015/2016, e, foi apresentado para mais de 30 escolas, 17 teatros, dois países, 15 cidades, em sete estados brasileiros, somando um público de 100 mil pessoas. Além disso, foram convidados para 28ª edição do Festival Internacional de Teatro Hispânico de Miami, que acontece de 11 a 28 de julho. Uma baita iniciativa!

O vídeo é um breve documentário sobre a ação educativa do espetáculo Entre nós.

Filme: O Homem Que Era O Super-Homem

Filme: O Homem Que Era O Super-Homem

Todos nós amamos heróis. Todos temos primeiras lembranças um tanto quanto embaçadas das primeiras vezes que os vimos. Eu lembro do Batman nas manhãs de sábado na televisão. Eu lembro do meu irmão mais velho me contando sobre o Wolverine e da primeira vez que vi o Ciclope. Do filme do Super-Homem tarde da noite e eu correndo com uma toalha em volta do pescoço imaginando voar. Lembro de ir até a biblioteca quando a minha irmã tinha de fazer algum trabalho para a faculdade e ficar na sessão infantil lendo os gibis velhos (alguns faltando páginas, outros riscados) do Homem-Aranha.

Os homens que eram super-homens e os falsos heróis no cinema hoje

Em 2004, Homem-Aranha 2 estreou nos cinemas. Nos meses que antecederam sua estreia, lembro-me de ir repetidas vezes à locadora alugar o primeiro filme, eu não me cansava de rever, mesmo a repetida lição de moral de que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Era tão impressionante quanto o filme do Superman tinha sido quando o assisti na televisão pela primeira vez aos 5 anos de idade. E então eu finalmente fui ao cinema e a Tia May eventualmente diz:

Ele reconhece um herói quando vê um. Existem poucos personagens lá fora, voando por aí daquele jeito, salvando velhas garotas como eu. E Deus sabe, crianças como o Henry precisam de um herói. Pessoas corajosas e altruístas, dando exemplo para todos nós. Todo mundo ama um herói. Pessoas se alinham por eles, torcem por eles, gritam seus nomes. E anos depois, elas vão contar como ficaram na chuva por horas só por um relance daquele que as ensinou como aguentar firme por um segundo a mais. Eu acredito que exista um herói em todos nós, que nos mantém honestos, nos dá força, nos enobrece, e finalmente permite que morremos com orgulho. Mesmo que às vezes temos de ser firmes, e desistir daquilo que mais queremos. Mesmo dos nossos sonhos.

Essa semana eu revi O Homem Que Era O Super-Homem, um filme sul-coreano de 2008, dirigido por Yoon-Chul Chung, que conta a história de um homem que dizia ser o próprio Super-Homem. Dessa maneira, ele passa o dia andando pelas ruas da comunidade onde vive, procurando por uma chance de ajudar quem quer que seja, desde senhoras carregando sacolas pesadas, até assaltos, entre outras. Todos o encaram como um homem louco, menos as crianças que gostam de ouvir suas histórias como o Superman.

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É curioso como um homem, sul-coreano, vestindo uma camiseta havaiana, consegue nos convencer de que estamos assistindo um filme do Superman. Nisso podemos destacar tanto a direção quanto a atuação. Jeong-min Hwang, no papel principal, tem em seu olhar, seu sorriso, e sua postura, os mesmos traços do Superman clássico que todos conhecemos e identificamos, tanto nos quadrinhos e desenhos animados, quanto em seus primeiros filmes encenado por Christopher Reeve. E ao mesmo tempo essa postura de super-homem é quebrada quando o vemos humano, se machucando ou brincando com as crianças, por exemplo. Nisso podemos afirmar que ele é sim de fato, louco, ou (e eu prefiro assim) dizer que é o Clark Kent nele. Desde a sua primeira cena no filme, onde ele (mais rápido que uma bala!) salva a jornalista que o acompanha no decorrer do filme, com uma pose clássica de Super-Homem, sabemos, este é o Super-Homem! Mas é claro, nós mesmos desconfiamos de que, bom, talvez ele não seja de fato o Superman, e essa é a grande questão da história.

O filme utiliza de muitas imagens fantásticas e líricas, pode-se dizer, para mostra como o SUPER do herói pode existir em uma pessoa aparentemente comum, aos olhos dos que acreditam, como na cena em que ele finalmente voa. Descobrimos duas tragédias na vida deste Super-Homem, e que uma delas aconteceu porque nenhuma pessoa quis se arriscar para salvar a vida de outras pessoas, e desta forma ele dedica sua vida a fazer o oposto do que aquelas pessoas fizeram com ele.

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Atualmente temos um Superman diferente no cinema. O novo homem de aço da DC/Warner não tem cores, não tem sorriso ou carisma, e ao invés disso ele veste seu corpo numa roupa escura, e seu rosto num semblante triste. A mãe (que se chama Martha) deste Clark Kent, diferente da Tia May daquele Peter Parker, ensina seu filho que ele não deve nada às pessoas deste mundo. Enquanto o novo Batman (com uma Martha como mãe também) segue o mesmo modelo triste e escuro. A motivação do Batman para lutar sempre foi um otimismo insano de que seus atos fariam do mundo um lugar melhor, como Grant Morrison sintetiza muito bem em Corporação Batman, quando Bruce Wayne conversa sobre a morte de seus pais com o Comissário Gordon:

Eu olhei para aquele buraco nas coisas tantas e tantas vezes, até machucar, Jim… E sabe o que eu encontrei lá? Nada…
… E espaço suficiente para conter tudo.

Mas este novo Batman se motiva pelo fato de que o mundo não muda e criminosos não acabam então ele precisa matar a todos. Um Batman niilista? Ok, mas, mesmo desta forma, não faz muito sentido. Talvez seja o reflexo de novos tempos como muitos fãs tentam argumentar. Talvez. Seria uma pena.

Eu por outro lado, gosto de acreditar que heróis são e sempre serão aquilo que a Tia May descreveu no segundo filme do Homem-Aranha e que encaixou perfeitamente como a explicação do porquê esses personagens significam tanto para mim, e para muitos. E que me mostrou que sim, aquele coreano de camisa havaiana é o Superman, e que não, estes novos batman e superman não são nem O Batman nem O Superman. Talvez seja uma questão ideológica (apesar de que os novos filmes da Warner são ruins também tecnicamente), e se for, que o novo filme da Marvel Studios, Capitão América: Guerra Civil consiga fazer o Homem-Aranha representar algo bom, algo como o que um herói deve ser mesmo em tempos difíceis, mesmo em novos tempos.

(Filme completo no YouTube)