CD: Amor Geral, Fernanda Abreu

O Lead title dessa semana vem do Instagram da própria artista: Amor entre os homens: eterno enigma a ser decifrado. https://www.instagram.com/p/BE1ZevGIEDt/?taken-by=fernandaabreureal

fernanda-abreu-amor-geral-2016-www-martinscds-net_

Introdução/Contextualização:

No dia 20 de maio de 2016, Fernanda Abreu lançou Amor Geral, o oitavo álbum de estúdio da sua carreira pelo seu próprio selo, chamado Garota Sangue Bom, em parceria e com distribuição pela Sony Music após um período de dez anos sem um disco de inéditas. Ele levou dois anos e meio para ser finalizado e contou com parceiros antigos da cantora para sua produção, como o produtor Liminha, o DJ Memê, Laufer e o compositor Fausto Fawcett. Também há novos parceiros, como os compositores Qinho, Donatinho e Tuto Ferraz, e os produtores Wladimir Gasper, Sergio Santos, Rodrigo Campello e T.R.U.E. Ela ficou a cargo e responsável pela produção executiva e direção musical do CD e a mixagem foi feita por Sérgio Santos e Vitor Farias, enquanto a masterização ficou a cargo do Tom Coyne (Sterling Sound, NY).

O álbum veio precedido da música de trabalho Outro Sim. (Clique aqui para ver toda a ficha técnica)

12987100_1725753834359550_673243258736387897_n-1
Capa do single

Ele foi lançado durante o programa Vídeo Show (Rede Globo) e, em seguida, publicado no canal VEVO da artista. Por conta disso, ela causou uma euforia nas redes sociais e uma expectativa quanto ao lançamento do álbum, evidenciando seu papel na música brasileira e chamando atenção para o seu retorno ao mundo fonográfico. Além disso, ela recebeu muitos elogios e saudações, até mesmo por quem ainda não a conhecia.

O conceito da produção me remeteu a outro clipe, o “Limpido” (2013) da Laura Pausini, lançado para divulgar sua coletânea em comemoração aos 20 anos de sua carreira e aos seus antigos sucessos.

Análise da obra no geral:

Durante o seu período de hiato, sem nenhum CD de inéditas, foi o momento que eu estava me inserindo nesse mundo do meio musical e, por isso, não acompanhei o processo de nenhum trabalho dela anterior a 2008. Todavia, em 2015 ela anunciou seu retorno aos estúdios via a rede social facebook e a partir daí a ansiedade e a expectativa era tremenda e pude acompanhar o tão desejado processo de lançamento e divulgação de ao menos um projeto da sua carreira longeva. Quando a hashtag #FernandaAbreuNoVideoShow entrou no Trending Topics do Twitter no dia 15 de abril desse ano fiquei em êxtase, porque sabia de toda influência, reverência e respeito entre o público, a mídia e a crítica especializada sobre seus trabalhos e sobre a própria Fernanda e logo em seguida encontrei, em um tweet aleatório, o link direcionado para a página do videoclipe de Outro Sim e essa nova empreitada artística tão atual, não tinha como vir em outro momento. Por sinal, toda aclamação merecida em torno desse disco é reflexo do quanto a música pop brasileira estava carente das músicas dela que sempre priorizou pela qualidade, inovação, inventividade, versatilidade e criatividade, pois cada disco veio com um conceito novo.

Agora, depois de tanto tempo, nos presenteou novamente com um ótimo CD. Na sua distinção, ele é sofisticado, de uma elegância e muito verdadeiro. Uma produção polida, com batidas infecciosas, já que ela sempre usou de uma unidade intercultural, de incursões ao funk, sempre de forma natural, sem parecerem forçadas. Na música pop-comercial desde os anos 2000 é raridade encontrar nas rádios brasileiras alguém que sempre mantém a qualidade poética e reflexiva em suas letras em sintonia com o balanço sofisticado dos arranjos. Aguerrida e com autonomia suficiente para oferecer música de qualidade, ela sempre se diferencia e ocupa o topo das artistas autênticas, passa longe de ser uma pseudoartista. Marca característica de Abreu é a cuidadosa curadoria de transpirar a máxima legal e o essencial em cada pedaço, em cada parte, de suas obras.

De mãos dadas com o eletrônico, Fernanda conseguiu transformar a dor, as vivências e suas percepções em pop. O álbum contém canais diferentes de eras da música, incluindo a moderna, a retrô, a década de 1980 e 1990, enquanto os humores do álbum variam e se inclinam de baladas lentas para mid-tempos até para up-tempos. O registro reflete uma renovação no som da artista, mas ao mesmo tempo há uma assinatura do estilo que a cantora desenvolveu em seus discos anteriores, ou seja, a sua essência ainda continua presente. Harmonizando uma mistura de elementos de uma série de gêneros, incluindo soul, dub, elementos eletrônicos, percussão tribal, groove disco e, claro, como ela foi a maior saudosista do funk carioca, ele também não podia faltar. As músicas são magistralmente trabalhadas e suntuosamente produzidas com cada elemento em perfeito equilíbrio – letra, melodia e produção – para mim, particularmente, não tem nada fora do lugar. Talvez eu até possa dizer: “é Fernanda em sua melhor forma.” Foi um retorno muito esperado e ainda bem que ela supriu as expectativas e trouxe um álbum agradável.

Mesmo que o todo pareça muito esparso e aleatório algumas vezes, olhando superficialmente, há todo um conceito regendo a obra – falarei mais a frente sobre ele. Certamente, com a finalidade a que Abreu se propôs, isso faz cada canção ser tipos diferentes de pensamentos e, como consequência, elas demonstram fortes abordagens dos diferentes estados de espírito, diferentes emoções, por isso te faz sentir coisas diferentes por meio de cada faixa. Assim sendo, a produção possui uma diversificação rítmica, de métrica, de assuntos, de sons e gêneros, evidenciando mais uma vez quanto nós somos plurais, por essa razão o trabalho não podia ser redondo, fechado em si, mas geral. Penso que ela não quis limitar, uma vez que todos possuem o amor, ele é geral. Além de que com maior variedade rítmica, o álbum fica menos monótono, são várias as extensões temáticas.
. Não custa avisar: ele é ideal para audição com fones de ouvido por causa dessa riqueza sonora e pelos sons que viajam pelos dois lados do estéreo do objeto para, assim, você poder apreciar, curtir e desvendar os mínimos detalhes de cada faixa a todo o momento.

Análise das letras (Conteúdo-Temas-Composição):

Entre 2008 a 2014 Fernanda Abreu passou por diversas situações em diferentes momentos, como a separação de um casamento de 27 anos com o artista plástico Luis Stein, a perda de sua mãe, após um coma de seis anos e o encontro de um novo namorado, o baterista Tuto Ferraz, além dos fatos sociais com o advento da intolerância no meio digital. Tudo isso está presente nesse disco, por esses motivos ele pode ser considerado o álbum mais intimista da sua carreira com canções muito pessoais para a artista, sem as crônicas características em terceira pessoa dos projetos anteriores.

No release publicado no site oficial, ela afirmou: “Amor Geral” é um álbum fortemente autobiográfico onde o tema é o amor. Centrado não em mim, mas no outro. O outro como ponto de partida e o amor como ponto de chegada. Afinal são as pessoas que nos fazem sentir vivos e amados (ou desamados). É um disco sobre a vida onde o amor, que parece um tema banal, se afirma como a força fundamental que não deixa esmorecer a nossa fome de viver. Produzido no eixo RJ-SP, urbano por natureza, o disco seguiu musicalmente esse sentimento do eu-coletivo. Convidei vários produtores (já que cada faixa pedia arranjos e sonoridades diferentes), músicos, compositores, técnicos e amigos para contribuírem na gestação do álbum.”

Sendo dessa vez um disco autobiográfico, nessa produção as letras se concentram em momentos, sensações, experiências e em 10 canções a Garota Sangue Bom imprime histórias vividas e reflexões com letras auto-reflexivas-pessoais de endereçamento ao seu passado e ao seu presente. Ela captou bem o espírito dessa época, do momento atual. Há também uma ênfase na complexidade das relações humanas, com o amor e a sexualidade sendo um foco temático particular para algumas das canções que expressam o sentimento um pouco amargo, tocando em “um amor que é a dor”. Em outro trecho do release, Abreu expõe: Temos vivido dias de intolerância, ódio e agressividade desnecessários. As discordâncias e divergências existem e, nesse cenário, termos a capacidade de ouvir é tão importante quanto falar! “Não é fácil aceitar alguém e ser aceito pelo outro também.” Em uma entrevista ela acrescenta: “O disco é um antídoto contra esse momento de intolerância”.

foto-1-gui-paganini-e-arte-de-giovanni-bianco
Fernanda Abreu lança “Amor Geral” uma década após o último CD Foto: Gio Paganini/Divulgação/ Arte: Giovanni Bianco

Análise do projeto visual:

Toda a arte e a produção visual foram dirigidas por Giovanni Bianco e as fotos são do profissional Gui Paganini. A capa, como você viu no início do texto, tem Fernanda com uma imprensa na pele, especificamente na mão direita. Em uma entrevista ao Programa do Jô ela falou que “os seres humanos, seres históricos, imprimem nas pessoas a sua história e a história do mundo vem imprensa em você também.” Em contrapartida, eu pensei o seguinte: Dado que a obra reflete a época atual e como os discursos populares não são mais feitos oralmente em sua maioria, mas, sim, pelas mãos, são elas que digitam todas as palavras, portanto, toda a mensagem, antes oral, neste momento vem transmitida por elas, por esses membros humano. Quase toda expressividade dos brasileiros referentes a determinados assuntos está vindo das mãos e dos emojis, caiu um pouco a frequência de conversas por olhares e das expressões faciais físicas hoje em dia, talvez até por isso no clipe de Outro Sim ela está com as mãos completamente vermelhas, em razão de ser uma cor forte, chamativa e vibrante, além do vermelho ser a cor do amor, da vida e do sangue pulsando. Se você assistir ele novamente, perceberá que Fernanda dança com as mãos, os seus primeiros movimentos corporais são com as mãos. Inclusive, é a parte principal do corpo onde o sentido do tato é mais perceptível.

Análise do artista como intérprete das suas canções (Voz, notas, modo de cantar e tons):

No álbum contém vocais da artista abordando diferentes humores, como o ferido, o libidinoso, o sereno, sofrido, o natural, o animado e o etéreo. Vocalmente, para contribuir para os efeitos de sentido, há várias canções com algum efeito na voz dela, não está tão limpa, alguns desses efeitos, como uma determinada música pede, ela está até sensual. Interessante notar que os backing vocals em Tambor, Deliciosamente e Antídoto são masculinos, ficou como músicas da época/era Motown. Várias vezes você encontra vozes dobradas em overdub ou reverberadas, com delay (em looping) e, novamente, em alguns de seus trabalhos, ela fez uso de codificadores vocais, como, por exemplo, do vocoder e da talkbox.

Análise da instrumentalização especificamente:

Na resenha sobre “A Sociedade do Espetáculo” há meus comentários e minhas descrições, além dos comentários e das descrições do próprio artista, não é? Nesse texto, essa etapa será da mesma maneira.

PS1: Os comentários da Fernanda também estão no release publicado na internet, ele pode ser lido na íntegra por este link: http://www.fernandaabreu.com.br/amor-geral/#

Outro Sim
Primeira faixa do disco foi produzida por Wladimir Gasper, acrescida de samples adicionais por Jonas Chagas e tem como produtor vocal Felipe Abreu.
Em sua composição, ela inicia com uma voz masculina, dizendo diversos: ”Ô”. Essa voz sai em um lado de cada vez, em cada lado diferente do estéreo e em seguida surge um som de algo eletrônico em processo ao fundo, sendo carregado/ativado/iniciado e/ou ligado para já aos 04 segundos entrar a bateria comum e o sintetizador. Um entrando paralelo e após o outro para formar a pequena introdução, mas isso não quer dizer que todos eles não permaneçam na canção.
Toda a música é basicamente eletrônica, apesar de apresentar instrumentos orgânicos. Além dos instrumentos já citados, há baixo, programadores, teclados, chocalho, drum machine e também dois tipos de vozes do Pedro Bernardes no vocoder em estrofes específicas para complementar o vocal principal da Fernanda, a dupla Daft Punk usa muito desse codificador vocal.
Durante a 3º e a 4º estrofe parece haver palmas abafadas. Tento decupar as bases e cada som, seja ele agudo ou grave, para descrever cada parte, mas é difícil. São muitos elementos de efeitos que entram e saem criados por Sérgio Santos (figura central do disco pela participação em seis das 10 faixas, e outros músicos e produtores) que se combinam e se mesclam. Isso criou uma variação muito grande, geralmente a cada duas ou três estrofes o ritmo varia em decidas e subidas.
Praticamente, pode-se dizer que é dividida em duas partes iguais, canta-se direto as seis estrofes pela primeira vez e depois ela repete as seis estrofes novamente. A letra não tem a estrutura comum-básica-habitual: estrofe 1, est. 2, pré-refrão (em algumas), refrão, est. 3, est. 4, refrão, ponte musical e refrão/final. Sua forma é: estrofe 1-2-3-4 e refrão 1-2 (2x/bis). Como para o refrão a faixa troca de ritmo, podem, sim, serem consideradas refrão mesmo que não pareça. O ouvinte decide. Porém, antes dele começar, há um efeito sonoro, “tin-tin”, de uma caixa registradora, depois da bateria. Eu fiquei pensando no motivo dela ter usado isso: Pensei algo como uma crítica, algo sobre o capital, em um ser que só pensa no dinheiro e não importa se está lidando com outro ser humano. A maioria dos conflitos são por causa do dinheiro, se você sempre for buscar a raiz do problema… Ah, meu caro… (sem trocadilhos)
Liricamente, Fernanda prova a pluralidade mundial, não só humana, mas de todas as espécies de seres vivos, de objetos, de países, de espaços, de estações, de possibilidades, de coisas e afins e enfins… Existe uma infinidade de “outros” no mundo, até o sim dela é outro:
A outro tanto a ti quanto a mim
Um outro bem, um outro amor, outro sim
Não é fácil aceitar alguém
E ser aceito pelo outro também

https://www.instagram.com/p/BEWP5K3IEGE/

Adendo: No videoclipe, se você assisti-lo de novo, aparecem diversas formas geométricas contrastando com a cantora e com os dançarinos (humanos), me parece também uma figura de linguagem, olha só: como a indústria e todas as religiões querem que você se encaixe em padrões, o videoclipe faz uma crítica, mostrando que podemos fazer diversos movimentos, há muitas possibilidades disponíveis a nós e que, você se moldar estaticamente a algo, não funciona. Nunca funcionou. Somos plurais e diversificados! Claro que tudo isso não deve ser deturpado, tudo tem que estar de acordo com os Direitos Humanos, com a ética e moralidade de cada país.

Continuando: É como se ela, também, dissesse: “Estou de volta outra vez (outrora), com mais outros discursos, com outras atitudes, com outros gestos, com outras histórias, com outras experiências, o que culminou em outra música e em outro videoclipe”. Até nessa resenha, aparece um outro instrumento, aparece outra palavra em algum outro verso das outras canções. Sempre e em qualquer lugar haverá um outro ou uma outra.

Durante as estrofes do refrão ela faz um jogo com palavras que estão intimamente interligadas e, ainda por cima, rimam:
Outra favela, novela
Outro barraco, buraco
Outra cachaça, manguaça em outro bar
(…)
Outra cabeça, sentença (Sempre que vejo esse verso me vem a música “Admirável Gado Novo” do Zé Ramalho, vem as chacinas sob os povos negros, os feminicídios e se você for um ser pensante para algumas culturas, principalmente do sexo biológico feminino, você possui uma sentença e, com isso, me vem à mente a garota Malala Yousafzai junto de toda sua história.)

(…)
Outro sentido ou saída
Outra maneira ou medida
De dar a volta por cima, querendo dá

“Querendo dar a volta por cima” pode ser mais uma pessoa querendo passar por cima dos outros ou um indivíduo que nasceu num lugar não muito propício para um bom desenvolvimento ou uma vida digna, com emprego estabilizado, por esse motivo quer dar a volta por cima de um estigma muito presente em países subdesenvolvidos ou qualquer sujeito que passa ou passou por uma crise, assim, precisa “dar a volta”.

Pra não dizer que nada se repete na música, apenas durante a finalização, justamente essa  frase, “querendo dar”, é repetida por cinco vezes até ficar somente os sons vocálicos /aaaaaa/ repetidos em números iguais da frase anterior.

Tambor (feat. Afrika Bambaataa)
Segunda faixa do disco foi produzida por Sérgio Santos e composta por um trio: Fernanda Abreu, Jovi Joviniano e Gabriel Moura.
Esses dias atrás eu vi um documentário em algum canal educativo do governo brasileiro apresentando o instrumento “Tambor” para diferentes culturas, o que ele é e o que seu som representa, em quais momentos se usa e os motivos do uso. Infelizmente não me recordo do nome e nem do canal. Só me lembro de que depois de assisti-lo e ouvir o início dessa música com a palavra “tambor” repetida por três vezes, cheguei a essa conclusão: o rapper e Abreu podem não só estar dizendo somente o nome da música, mas chamando tudo o que envolve esse instrumento tão importante para diversas manifestações culturais. Inclusive, em toda a letra Fernanda o exalta, expondo em quais lugares ele está presente. No release há o seguinte: “A faixa é uma homenagem ao Tambor, expressão primeira da cultura negra e da comunicação entre os homens.
Tá no enredo, tá no samba do terreiro
Na marujada, na avenida, na congada
(…)
Unicamente no refrão releva exatamente quem é, ou melhor, o que é:
E quando toca o tambor
É festa, eu canto, eu danço

(…)

Sonoricamente, a música se inicia com o som de um berimbau e logo surge a batida dos tambores com a percussão tribal também transitando pelo fone de ouvido em conjunto com a bateria eletrônica. Após essa introdução, o convidado manda seu nome e de Fernanda enquanto o instrumento descrito em toda a letra é anunciado.
Quando a canção toma forma, na primeira e na segunda estrofe ela se constitui de uma voz realizando um beatbox (fazendo a batida em ritmo de funk, assim, ele substituiu alguma percussão) dois violões conduzindo no canal direto, baixo e um agogô. Quando chega ao refrão, inclui um batidão no centro que o deixa em estilo total do funk carioca.
Antes de entrar na segunda parte, um cantor volta a chamar pelo outro com um som orgânico de fundo e com o berimbau em destaque. Diferentemente da primeira parte, a segunda tem um loop que entra e sai. É música pra tocar em qualquer balada.

Contêm três pontes musicais, com essa atitude, há uma transição de vários ritmos na música e só resta a você curtir e se movimentar junto, não dá pra ficar parado. (Risos) Uma delas é para o participante, outra para ela e a última quase não possui vocal algum, isto é, mais instrumental. A primeira começa aos 02min26seg em estilo funk nova-iorquino com um break e com uma levada kuduro para abrir espaço para o rap que Fernanda faz logo em seguida. Como é característico nesse gênero musical, o rapper ordena pelos seguintes versos traduzidos:
Há baile funk nessa casa
Você tem que mexer
Você tem que tremer
Você tem que quebrar

Ainda bem que eles estão em inglês na versão original, porque, mesmo que o cantor esteja muito animado e fez a diferença na música, esses versos quebraram um pouco toda a mensagem que ela queria passar nas duas partes anteriores. Segunda ponte, como disse, é o rap. Muito pop. Quando ela acaba tudo se transforma em um samba-pop, por causa do violão, mas ele se constitui de palmas, os tambores e da bateria eletrônica como se tivesse formado um circulo e alguém está dentro dele, dançando.

 PS2: A canção “Tambor” — um passeio pela história e pelas ancestralidades do funk carioca, com participação de Afrika Bambaataa — conversa com o disco “Da lata” (1995), possui até um rap feito pela Abreu, como em várias canções antigas.

 PS3: Parece que as faixas são enormes com essas duas descrições anteriores, mas não são. É que há muito mesmo a ser dito por elas, vários instrumentos e conteúdos nas letras, é tudo muito expansivo.

Deliciosamente
Terceira faixa do disco foi produzida por Liminha e composta por um trio: Fernanda Abreu, Alexandre Vaz e Jorge Ailton.
Ela já abre com um toque como um raio de um sintetizador/programador pra anunciar que chegou a fase com levada disco groove do álbum, feita muito pelo Jota Quest aqui no Brasil. A canção possui guitarra, baixo, teclados, pandeiro e bateria, incorporados às batidas funky hook e também, como já foi dito, às batidas grooves disco. É bem puxada para o charm e romântica dançante, há, também, na base um piano Fender Rhodes flutuando pelos dois canais, marcação de palmas eletrônicas no meio do refrão, graves, frases de synth e efeitos. Nada fora do lugar, tudo bem encaixado e colocado no momento exato. Até agora só foram acertos. Ah! Já ia me esquecendo: tem harpa chinesa na ponte musical, aos 02min37seg.
Em sua letra apaixonada, os compositores sem delimitar questões genéricas, só querem deixar o amor acontecer independente de classe social, sexo, idade, cor ou religião. Se é amor, tudo é válido, só querem sentir e deixar rolar, acontecer:
Deliciosamente
Boca, pele, mão
Tudo o que se quer dizer
Falar ao coração
(…)
Tudo o que te der prazer
Sem classificação
No início de cada estrofe, há advérbios indicando a forma, a maneira, como eles querem que tudo isso aconteça: perigosamente, demoradamente, religiosamente e deliciosamente. Ao final da estrofe 2, há os versos “Universo paralelo / Outra dimensão”. Devido a sua sonoridade e efeitos ela te transporta mesmo a outro lugar, pode ser à uma discoteca.

Saber Chegar
Quarta faixa do disco foi produzida por Liminha e composta por Fernanda Abreu, Donatinho, Tibless e Play.
É uma faixa lenta (slowed-down version) e dançante como a anterior, ela contém um piano viajante no começo, carrilhão abrindo espaço para voz da cantora, Fender Rhodes, sintetizadores/programadores, mellotron, estalos de dedos (eles remetem a algo burlesco), baixo, um tambor bem levinho, drum machine, bateria comum, chocalho, frases de synths em momentos específicos, guitarra base e efeitos. Ela apresenta uma camada sobreposta ao vocal principal, isso quer dizer, a voz de Fernanda está com dobras e tem algo carnal, leve-sensual, no vocal dessa música. Logo no inicio quem se apresenta é o vocal de Donatinho numa talkbox passeando pelo estéreo e ela se encerra da mesma forma que começou.
Liricamente, a letra fala, além da imprevisibilidade e da falta de controle quando o assunto é amor, a nós, homens, sobre os momentos de flertes. Ela é um recado, em uma vibe positiva, direcionado para aqueles que querem obrigar alguém a ficar com ele mesmo não sendo recíproco, mostrando que tudo pode valer a pena. É só saber chegar!

Antídoto
Quinta faixa do disco foi produzida pelo Rodrigo Campello e composta somente pela Fernanda Abreu.
É uma faixa experimental neo-pop-soul suavemente produzida com elementos de acústica. Em sua composição instrumental se constitui de harmônio, Rhodes, violão, sintetizadores, bateria comum e bateria eletrônica (drum machine). No seu início, parece que ela está despertando e olhando todo o espaço ao seu redor para depois começar a cantar. Enquanto o prato da bateria é batido bem leve ao fundo a partir da 2º estrofe, marcando o compasso, parece que são pequenos passos que ela dá, caminhando por um campo ou por um caminho, como diz na letra, até chegar ao céu. As disposições de cada instrumento, principalmente da harpa e do harmônio, cria uma ambientação muito vantajosa, favorável e conveniente ao que a letra se propõe.
A música envolve a voz de Abreu cantando melancolicamente através de uma névoa de efeitos, com a sua voz encharcada de reverb, apoiado e bem ambientado sonoramente por um piano, percussão leve, frases de synth no canal esquerdo, mellotron, loops e efeitos. Crua, real e agradavelmente fresca. Na segunda parte, surgem alguns backing vocals com vozes masculinas passeando pelos dois lados e isso a deixou com uma cara de músicas da era Motown e ainda angelical.
A letra de Antídoto é suave e discreta, busca a transcendência da dor pela beleza sentida no coração. Ela contou como foi processo de composição: “Numa das madrugadas tristes que passei pensando na condição terrível em que minha mãe se encontrava (num coma há anos), peguei o violão, deitada na cama, e comecei a tocar uns acordes que já vieram acompanhados de melodia e letra juntos. Nunca tinha me acontecido isso antes.”
A harpa chinesa ou cítara tocada por Rodrigo Campello traduz essa busca com toque etéreo que faz a canção subir ao céu na escalada imaginada nos poéticos versos do tema. Tem um refrão bem construído e produzido com destreza. A partir dessa letra tão atual, eu quero ver quem não se identifica:
Quero a poesia como companhia
Artifícios não
(…)
Quero um antídoto que cure a tristeza
Tarja preta não

O Que Ficou?
Sexta faixa do disco foi produzida pela T.R.U.E e composta por Fernanda Abreu, Thiago Silva e Qinho.
Estruturalmente, começa somente com o piano Fender Rhodes e logo se apresenta um breve teclado enquanto se ouve uma respiração cansada até os 24seg. Ela consta em sua instrumentalização de, principalmente, bateria eletrônica (drum machine), baixo, sintetizador e efeitos. A música tem um ritmo centrado no piano de Gui Marques. Muito calma, sensível e modesta.
Vocalmente, Abreu usa de tons suaves e discretos, possui um ar leve e delays na voz, por esse motivo produz efeitos de ecos. Uma vez que a letra é em primeira pessoa, ela indica um fluxo de consciência pela falta de refrão e possui somente um conjunto de versos de um modo semelhante ao hip-hop. Fernanda canta os versos de forma contínua, quase sem pausa, como um trem de pensamento, antes de terminar abruptamente.
A letra envolve as inconstâncias da vida. Uma espécie de acerto de contas com um amor que se foi e, ao final, expressa algumas dúvidas, além de revelar coisas e fatos que esse amor fez, ocasionou e provocou no eu lírico. Ela disse o seguinte: “Escrevi a letra pro Luiz Stein, que foi meu marido por 27 anos e é pai das minhas duas filhas.”
Em O que ficou? parece que ela está se vendo em frente ao espelho, olhando não só sua aparência, mas olhando para dentro de si, dentro da sua mente.

Double Love Amor em Dose Dupla
Sétima faixa do disco foi produzida por Sérgio Santos e composta pelos parceiros de longa data, Fausto Fawcett e Laufer.
Com duas músicas anteriores em slowed-down version, ela coloca na tracklist uma que já anima novamente. A canção possui baixo, bateria, beats de funk, teclados, sintetizadores, efeitos e guitarra no refrão. Em outras palavras: Fernanda com voz sedutora vai do rap das estrofes ao canto do refrão com a voz multiplicada e viajante pelos dois lados. Uma guitarra solta frases no canal esquerdo e, tem vocal em destaque, trocando de canais, seduzindo em um momento com:
je t’aime, moi nons plus.
Déjà vu. Moi nons plus.
Deixa vir. Vem meu amor.
Sentir o calor. Double Love.

Ela é pop-rock, rap e hip-hop junto ao funk, basicamente. Que mistura boa é essa? Nas palavras de Fernanda: “Tem uma malícia dançante e pulsante.” Já começa direto pulsante com as batidas da bateria em grande destaque, com o sintetizador e o baixo. Enquanto ela conversa com alguém citado somente como “Você”, a instrumentalização fica calma, simples e com volume baixo, mas quando chega ao refrão… Já volta o batidão com uma guitarra nervosa e o vocal. Possui a ponte musical formada por uma quebrada beatbox aliada ao sintetizador muito popular no passinho, no funk, depois dos versos em francês.

Por Quem?
Oitava faixa do disco foi produzida pelo Tuto Ferraz e composta por Fernanda Abreu e Qinho.
A canção é a única do CD que já tem uma entrada com bateria limpa e com diversos efeitos sonoros de aplicativos digitais para ajudar na criação de sentido e no entendimento da música, inclusive, ela abre com o ringtone do Skype. (será que ela pagou à empresa para usá-lo?) Alguns desses sons são de teclas – meio redundante – sendo tocadas, programas sendo abertos, arquivos sendo arrastados e outros até de redes sociais. Tem uma levada disco-funky, proporcionada pela bateria, por discretas guitarras funk na levada, baixo, Fender Rhodes, chocalho (ganzá ou caxixi) e por várias frases diferentes de teclado de acordo com cada estrofe. Vocalmente, Qinho faz, de novo, o uso do vocoder brincando pelos dois canais, em alguns momentos até acompanha Fernanda na voz. Todavia, na segunda repetição do refrão, ela própria faz uso da talkbox, falando sempre “hardware” (ferragens) e “software” (programas) após alguns versos. A estrofe pós-refrão vem antes da ponte musical (bridge) e se diverge do todo, porque ela é bem mais orgânica, ela abre mais espaço para tambores, bateria e guitarras mais limpas, apesar de conter os efeitos do synth, no estilo de rodas de manifestações culturais ou religiosas. Muitas vezes, elas são feitas para iniciar ou encerrar algum processo, para fazer pedidos ou para rituais de oferenda e sacrifício, o que condiz com a letra – falarei mais adiante dela. Em seguida, para anunciar a ponte musical, colocaram o som de aviso de mensagem do WhatsApp aos 02min30seg e ainda possui um vocal com a talkbox sozinho acompanhado de sons de registros fotográficos e por um novo som agudo, feito por uma espécie de xilofone, do chocalho, da bateria e do baixo.
A letra romântica de Por Quem? faz referência ao mundo digital, o que condiz com a voz robótica inspirada na dupla Daft Funk e ao uso dos ringtones das redes sociais. Do mesmo modo que em O Que Ficou?, aqui ela também expressa algumas dúvidas. Em outra parte do release, revelou: “Mais uma letra tentando driblar a dureza de uma separação. Digerir, administrar e computar esse momento, com amor e leveza, é sempre um desafio.”
Para encerrar, o último som que se ouve é o de uma lixeira de algum computador sendo limpa. Talvez, para indicar que ela conseguiu processar a separação, conseguiu deletar esse momento de dureza.

Se ela não fosse autobiográfica, daria pra afirmar: ela foi feita pensando nos casais que surgem via mundo virtual, pelos encontros via aplicativos, como o Tinder, e, assim, desenvolvendo novas formas de se relacionar e de se envolver em um relacionamento amoroso.

 PS4: A elegância funky de Por quem? é filha de SLA radical dance disco club (1990).

Valsa do Desejo
Nona faixa do disco foi produzida pelo Tuto Ferraz e composta pela Fernanda Abreu e por Tuto Ferraz.
A música é uma piano-balada-retrô-intimista-orquestrada, porque é composta por um arranjo de cordas e também se complementa com alguns elementos eletrônicos, ou melhor, de bateria eletrônica. Esta é a faixa do casal. Combina o orgânico do quarteto de cordas e piano com discretas programações. Muito bem arranjada. Na segunda parte, têm momentos de um cello no canal esquerdo, as cordas envolvem a voz dela, que contêm efeitos em momentos determinados, numa cama romântica e sensível.  Veja os  elementos se coincidindo: a canção tem um compasso 4 por 4 (4X4), assim, ela é completa, como a forma geométrica quadrada, ou seja, quando ela encontrou o Tuto, os dois se completaram. Aliás e, por sinal, em uma valsa, os movimentos, para fazer uma volta completa, para formar o quadrado, dá um tempo de oito, assim: um-e-dois, três-e-quatro, cinco-e-seis e sete-e-oito. Oito, que é o símbolo do infinito, deixando subentendido: um amor eterno.  Será que ela pensou em tudo isso mesmo? No release: “Inspirada no meu momento amoroso e apaixonada, eu escrevi essa letra e comecei a criar a melodia acappella dançando uma valsa em casa. Fui pra SP e pedi ajuda pro Tuto, que sentou ao piano e criou essa harmonia linda e densa que, somada ao arranjo de cordas, criou a atmosfera que eu queria.
Liricamente, são somente pedidos dela a ele:
Me olha, imagina
Pra eu me sentir despida
(…)
Me beija de língua
Pra eu me sentir perdida

Amor Geral
Décima e última faixa do disco foi produzida por Sérgio Santos e composta pela Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Pedro Bernardes.
Ela disse: “Vinheta final, espécie de epílogo. Sintetiza a onda musical do disco misturando eletrônica com timbres e sons orgânicos. Como não podia deixar de ser, o samba aparece aqui, nas entrelinhas como parte do meu DNA. Samba urbano.”
Abreu usa, como música de fundo para o seu discurso e/ou desabafo, um sintetizador, drum machine e voz com efeito em eco. Ela recita a letra com efeitos de delay (parecem diversas Fernandas, juntas, ao seu redor) e um violão em estilo latino grave com teor mais sexual. Quando ela pede para ouvir o coração do mundo batendo, entra zabumba e tamborim, formando o seu samba urbano. Muito interessante ela ter encerrado com Amor Geral. Há variações de tons, às vezes a música está leve outras vezes pesada, há o sentir e o delicado em diferentes instrumentos.
Fernanda encerra com um discurso que resume tudo o que ouvimos nas faixas anteriores de forma clara, objetiva e sem figuras de linguagem. Ela soube deixar o seu recado, mesmo tratando de um tema tão amplo, com possibilidades de, a partir dele, discutir e debater tantos assuntos.

20160530012351622867u

Resumão (Avaliação Geral):

Em síntese, ela teve uma visão concisa de como seu trabalho deveria soar, de como ele deveria ser e o que ele deveria passar, foi o que deu uma unidade conceitual ao álbum. Sendo produtora executiva e diretora musical tudo saiu como ela esperava, como o público esperava e não deu outra, é um som dos melhores. Durante alguns relatos do release divulgado no seu site para a imprensa, ela descreve: É algo que me preocupei no disco: a frequência. Se você ouvir de fone, vai perceber que tem desde subgrave até agudo, passando por todas as frequências. Os arranjos têm que ter isso para ficar bacana. Se a música tem isso, você consegue levar a pessoa para uma viagem mais interessante.

Depois desse tempo em que Abreu ficou afastada, sem um trabalho de inéditas, muitas coisas aconteceram com o mundo e ela, claro, como o ser humano inserido nesse contexto, participou, acompanhou e vivenciou diversos momentos diferentes, inclusive em sua vida pessoal, como foi explanado durante toda a resenha. Mesmo assim, ela não se perdeu, ela soube delinear, delimitar, criar e seguir o caminho que ela construiu para a sua produção, tudo está dentro dos trilhos. Fernanda mesma disse em uma entrevista que tinha muito, agora, a dizer a essa nova geração que ainda não a conhecia. Ela é uma mulher consciente, que reconhece e sabe onde está inserida, está ligada com o que acontece ao seu redor e até se sentiu, olha só, na obrigação de transmitir uma mensagem, essa que traz o maior sentimento em todo o conceito da obra, o amor.
Diferentemente de Mahmundi, ela não contou o amor em um único ser, devido a isso sua obra não ficou redonda, fechada, completa em si mesma refletido em toda instrumentalização/produção, tudo não seguiu a linearidade concernente ao conceito proposto por ela e sem as faixas destoarem umas das outras. Por isso, até penso que seu som veio modificado, comparado as obras antigas, para atender os gêneros que estão em alta atualmente e, por meio deles, ela não causaria um estranhamento. À primeira impressão, eles já se identificariam com o som, com esse meio, com essa liga e um pequeno vínculo já se cria entre os ouvintes e ela. As belezas escancaradas das faixas têm o potencial de abrir os corações do povo para as possibilidades estéticas mais amplas de culturas fora de sua experiência habitual, do que só se ouve nas rádios e nos aparelhos televisivos (nos canais de televisão). Dessa maneira, ela pôde falar tranquilamente o que desejava. Sem chegar com o pé na porta, sem chegar metendo o dedo na cara de alguém, sem chegar criticando alguém, ou seja, criando conflitos desnecessários. Simplesmente, usou da sua arte, de artifícios líricos, para se expressar e como, consequentemente, somos seres racionais, a partir das nossas expressões nessas atuais arenas ideológicas o ouvinte escuta e logo começa a se relacionar, a dialogar, a refletir e também, claro, como não seria de se estranhar, a se posicionar, contrário ou favoravelmente.

Aqui, quanto somente à instrumentalização, ela segue uma ordem rítmica de três partes, criando uma estrutura, um desenho. Ele começa decaindo e depois volta a subir. Em outras palavras: De acordo com a audição de cada canção e como elas foram colocadas na lista de faixas, elas formam uma linha imaginária, como num gráfico, de tal forma que ela é delineada descendo até a metade do disco com a música O Que Ficou? e depois, com a seguinte, essa linha volta a subir. Esse percurso é todo influenciado pelos ritmos de cada uma. O trabalho começa animado, depois fica mais romântico e da segunda metade em diante volta para as batidas, para o ritmo mais acelerado, para as chamadas up-tempos. Metaforicamente, todo o processo de crise no mundo, tem um início que desencadeia determinadas “coisas”, faz os sistemas e a humanidade, ligadas a eles, irem decaindo também, até que com estratégias, relações humanas, mudanças, períodos de turbulência, incluindo até mesmo tragédias, tudo contribui para começar a entrar nos eixos outra vez e, assim, voltar a se reerguer e fazer o desenho do disco subir sua linha, novamente. Na história da humanidade, isso já aconteceu incontáveis vezes, nem que seja com um sujeito social, uma empresa ou até mesmo com uma nação ou organização inteira. Dessa forma, restará só o aprendizado (no caso, a última faixa do CD) e devido a tudo, eu repito: ele pode não ser redondo, fechado em si mesmo ou completo, a humanidade não pára, ela está sempre em contínuos/constantes períodos de transições, sejam elas internas ou externas, leves ou intensas, extremas ou ínfimas. Só nos resta saber viver e aprender a lidar com tudo isso.

Anúncios