Videoclipe: Runnin’ (Lose it All) [ft. Beyoncé & Arrow Benjamin], Naughty Boy.

Lead title: Amor submerso. O que uma produção pode nos proporcionar?

Introdução/Contextualização:

Ouvimos e vimos a beleza desse clipe subaquático de Runnin (Lose it All), parceira musical de Naughty Boy, Beyoncé e Arrow Benjamin, simultaneamente na noite de quinta-feira (17/07/2015), dia em que foi liberada na íntegra nos serviços de download e streaming e, como de costume no Reino Unido,  o vídeo foi divulgado na conta VEVO do produtor britânico. A música recebeu críticas positivas dos maiores sites e críticos especializados, mais precisamente pelo arranjo e vocais.

CPB6KLVWwAAiCrj

A belíssima produção audiovisual foi dirigida por Charlie Robins (o mesmo do clipe Not Letting Go, do rapper Tinie Tempah e Love Again, de Rae Morris) e as belas imagens e coreografias são responsabilidade da cinegrafista especializada em filmagens debaixo d’água Julie Gautier, fundadora da Les Films Engloutis, que co-dirigiu Ocean Gravity com Guillaume Nery, inclusive o vídeo é inspirado nesse curta-metragem.

O vídeo foi filmado em Rangiroa, nordeste de Tahiti, na Polinésia Francesa ao longo de quatro dias.

Discutindo a concepção do vídeo, Robins disse: “A fim de alcançar o efeito que estávamos dispostos a realizar, tivemos que filmar no meio de três correntes: uma rápida, uma profunda e uma outra muito perigosa em uma lagoa, esta foi a que deu-nos o impulso para a frente visto por você no clipe. Os atores não usaram tanques para o ar, portanto tudo que você vê foi feito prendendo a respiração, às vezes até seis minutos a uma hora. Eu ainda não consigo acreditar como eles fazem isso.” Incrível, não?

Percepção própria sobre a obra:

O vídeo em si se passa embaixo da água e mostra um casal, interpretado por praticantes de mergulho livre Guillaume Nery e Alice Modolo, correndo para se encontrar no fundo do oceano. Por outro lado, se você pensar em figuras de linguagem, mais especificamente em questões metafóricas, perceberá que o casal separado está afogado em mágoas, tristezas e perdidos. Por isso, as primeiras imagens são do ambiente marítimo, em seguida imagens do casal parado em uma posição recolhida e tristes, sofrendo as dores da separação.

Com a tradução da letra prova-se que a representação visual é a mesma que está relatada nos primeiros versos:

Estas quatro paredes mudaram a forma como eu me sinto
A forma como eu me sinto, estou aqui parado
E nada mais importa agora, você não está aqui.

Quando chega ao refrão e a cantora afirma:

Não vou mais fugir de mim mesma
Juntos vamos vencer tudo
(…)
Estou pronta para enfrentar tudo
Se eu me perder, eu perco tudo (essa é a frase que mais ecoa e a mais marcante: If I lose myself, I lose it all).

Assim, decidem ir um ao encontro do outro, até mesmo quando se reencontram giram em círculo, pensando se é isso mesmo o que querem, até que na hora da reconciliação – o que foi difícil, um caminho não muito transitável, com vários obstáculos – o vídeo já está no final e, quase como num passe de mágica, todo aquele sentimento some, na verdade, os próprios atores somem, se elevam.

Podemos usar o mesmo argumento de algumas outras resenhas aqui: clipe minimalista, porque só tem um pano de fundo e dois personagens, mas que é tão rico, se você pensar nos sentidos ofertados pela figura de linguagem. Simples e bonito.

Todo o produto final foi muito bem coreografado e trabalhado, visto que há ângulos improváveis da questão do peso e baixa gravidade corporal embaixo da água, de quando estamos submersos. Além da interessante premissa, a coreografia, captação de imagens e edição que explora incrivelmente os ângulos. E as posições de câmera? Estrategicamente direcionadas e movimentadas, tudo para dar a sensação de que estamos participando das cenas. A fotografia é linda, enquanto que foi bem cuidadosa a edição.

PS: O clipe casa muito com a letra da canção, como percebido, e até o diretor falou que é mesmo metafórico.

Ao aliar as figuras de linguagens, percebemos que se cria uma linda produção, composição e interpretação, que beira o lirismo, a poesia, já que possui vários sentidos, várias interpretações, vários olhares, que ocorrem por intermédio das diversas metáforas e jogos imagéticos presentes na produção musical/visual.