CD: Mind of Mine, ZAYN

Lead title: Pegue seu fone, abra o Spotify, ou o que preferir, e aprecie essa obra que é “Mind of Mine”.

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Capa do álbum gerou comparações com outras do Lil Wayne

Introdução/Contextualização:

Nesta sexta-feira (25/03/2016) chegou às lojas, em formato de CD/Vinil e em todas as plataformas digitais, Mind of Mine, álbum debut de estúdio do cantor e compositor Zayn Malik. Essa estreia marca o início da sua carreira como artista solo, após uma jornada de cinco anos como integrante da boyband One Direction. Agora, o cantor assinado, distribuído e agenciado pela RCA Records, selo da Sony Music.

Mind of Mine veio precedido do single PILLOWTALK, o carro-chefe, que, de maneira rápida, tornou-se um smash hit, porque, em sua primeira semana de lançamento, a composição estreou direto no topo da parada americana de singles, a Billboard Hot 100 e da parada britânica de singles, a UK Singles Chart.

A produção executiva ficou nas mãos de uma pessoa que chamou atenção, pois Malik trabalhou com o produtor Malay, talvez você não conheça por nome, mas ele também esteve por trás de outro grande debut, de outro grande cantor R&B, o channel ORANGE, de Frank Ocean (duas vezes vencedor do Grammy Awards) e de John Legend (possuidor de nove gramofones). Desde que o nome foi revelado, pode-se visualizar o rumo que Zayn tomara em carreira solo.

Análise da obra no geral:

Para todo artista, a primeira produção sempre será um meio de apresentá-lo e inseri-lo à indústria fonográfica, de maneira que ele defina o caminho que quer seguir durante sua carreira artística. Com vista nisso, Zayn revelou que trabalhou com diversos produtores e chegou a escrever em torno de 46 a 47 letras (!!!) para este CD, além de dizer que experimentou diversos estilos, ritmos e gêneros diferentes até encontrar algo que se identificasse: “eu realmente não sei qual é meu estilo ainda. Eu estou apenas mostrando quais são as minhas influências”, admitiu o jovem cantor.

O disco traz uma ÓTIMA combinação de ritmo midtempo, sexy, com uma vibe provocativa, refrães radiofônicos, com vocais grudentos em meio à uma melodia pop, algumas músicas cativam desde o primeiro contato, enquanto que as outras demandam uma insistência de nós, ouvintes, para digeri-las melhor. Classificando o todo, é um R&B contemporâneo, combinado com upbeats e synthpop. Uma ambiciosa produção experimental, complexa, detalhada e até mesmo bem elaborada.

Análise das letras (Conteúdo-Temas-Composição):

Nesta produção de Zayn, você irá viajar pela mente de um jovem de 23 anos, que busca descobrir o seu mais profundo eu, o seu interior, seu subconsciente, por isso, nota-se que não é à toa que no nome do álbum possui a palavra mind (mente, em inglês). O ouvinte passará também a conhecer as histórias e pensamentos, de forma muito clara, de um artista novo que iniciou sua carreira recebendo muita atenção do público e da mídia em geral.

Por ter um tema tão subjetivo, as letras são intensas, minuciosas e reveladoras, explorando diferentes paisagens sonoras e assuntos; revelando inúmeros focos temáticos, como a felicidade, o amor, o desejo, a luxúria, a frustração e os anseios, mas cada canção serve a um único propósito, isto é, estabelecer a identidade de Malik, o que acarreta na identificação de vários jovens com as músicas do álbum Mind of Mine.

Outra característica que contribui para uma efetiva identificação do jovem com as songs, por marcar, de certa maneira, a desorganização da mente de um jovem que ainda está se descobrindo, são as estilizações nos nomes das composições, por exemplo, a música BeFoUr, que, imageticamente, traz uma grafia que, ao meu ver, tem o propósito de referenciar os altos e baixos da vida, não só dos adolescentes, mas de todos nós, seres humanos.

Análise do artista como intérprete das suas canções (Voz, notas, modo de cantar e tons):

Como já era de se esperar, Zayn usa e abusa de todas as suas capacidades e técnicas vocais. Independentemente se são notas baixas ou altas, se o tom é grave ou agudo, ele faz e as executa com maestria, de um jeito promissor, seus vibratos e falsetes possuem uma tessitura de qualidade.

Na maior parte do álbum, em algumas músicas ouvimos camadas (ao menos três, contando com lead vocals) sobrepostas de sua voz, proporcionando suporte e texturas como se pudéssemos tocar nas ondas sonoras que chegam aos nossos ouvidos. Entretanto, não nos iludimos tanto, porque sabemos que esse suporte, ao vivo, será uma função para os backing vocals, mas não deixe a beleza do momento se perder. Além disso, há efeitos sonoros encontrados em diversas canções, que, por meio de eco ou de vozes distorcidas, encontramos um efeito auditivo de como se estivéssemos mesmo em alguma mente ou no cérebro de alguém, revelando e descobrindo o seu eu mais profundo.

Análise da instrumentalização no geral e especificamente:

Em geral, em todas as faixas, a instrumentalização é composta por bateria eletrônica, bateria comum, pianos, teclados, sintetizadores, programadores, baixos e guitarras, ou seja, há músicas mais orgânicas e outras mais eletrônicas.

No entanto algumas músicas especificas possuem, na sua instrumentalização, alguns instrumentos a mais, como é o caso da intro MiNd Of MiNdd. Ela possui o acréscimo de um som orgânico, de um instrumento idiofônico chamado vibrafone, que tem como função marcar o compasso em conjunto com a bateria. Além disso, por ser a primeira faixa do álbum, ela é muito convidativa, não somente pelos versos repetidos sete vezes, com o emprego de verbos no imperativo (aquele que manda), como “Open up and see what’s inside of my mind” (Em tradução livre: abra e veja o que está dentro da minha mente), mas também pelos sons agudos apresentados logo no início que, aliados com as notas do piano, são os primeiros sons que ouvimos ao dar o play.

Outra que é acrescida de um instrumento idiofônico é iT’s YoU, composta somente por um sintetizador, do início, até os 17 segundos, para, em seguida, entrar uma bateria eletrônica e, posteriormente aos 46 segundos, um chocalho. Para compor esse arranjo instrumental, além do vocal, há inclusive um triângulo (aquele usado aqui no Brasil em músicas nordestinas), ele aparece no refrão ao mesmo tempo ao som do piano e em alguns momentos violinos (arranjo de cordas).

PS: Ela foi composta para sua ex-noiva! Note a DR na arte.

Em sHe, inclui-se, em alguns momentos, estalos de dedos. Esse epílogo aos 02m:50s é muito bom, e inclusive me recordou Justin Timberlake, cantor que também tem a mania de colocar epílogos em suas músicas. O epílogo é totalmente orgânico, encerra a faixa e prepara o terreno para a próxima, intitulada como dRuNk, cuja composição é muito boa.

Em sequência, o que dizer de INTERMISSION: fLoWer? Um interlude experimental, com violão acústico em estilo folk, bateria e guitarra, com sons atmosféricos semelhantes a uma espessa neblina. Malik respeitou suas raízes e origens nessa bela poesia islâmica, com a letra em língua Urdu, ela surgiu a partir de um ditado reproduzido por um membro da sua família que costumava dizer a ele, e mostra um vislumbre de sua herança muçulmana, Zayn usou técnicas vocais qawwali, incluindo elisões vocais e gorjeando. A tradução literal merece estar aqui:

    Até a flor deste amor florescer
    Este coração não encontrará paz
    Me dê seu coração
    Me dê seu coração
    Me dê seu coração

fOoL fOr YoU e PILLOWTALK são as mais orgânicas do álbum. A primeira, quando chega no refrão, pressupomos que a construção musical é para cortar o coração, ou machucar a garganta ao cantarmos junto. Tem o piano, a bateria, a guitarra, o baixo e é único o som com cordofones (arranjo de cordas-violinos). Belíssima música, uma power pop ballad. O cantor revelou, inclusive, que recebeu uma influência em particular do John Lennon ao produzi-la. Isso não é ótimo?

Em tRuTh, por sua vez, além da bateria, da guitarra e dos teclados, há ainda sinos abafados antes do refrão e pra encerrar um instrumento lírico, a harpa, com uma letra que traz um desabafo, com descrições e conselhos para alguma garota.

Pontos negativos:

A produção não tem como ser perfeita, certo? Como são tantas músicas, algumas passam despercebidas pelo ouvinte, principalmente se preferir ouvir a versão deluxe (18 faixas). Isso ocorre, talvez, por elas (algumas músicas) não chamarem tanto a atenção ou por ser um ponto baixo no disco. Por isso, esteja atento quando ouvi-lo, ele merece sua atenção.

Além disso, entre algumas músicas e outras, não há aquele tempinho de espera em silêncio, para processarmos a música anterior, elas estão ‘linkadas’ uma nas outras, digamos assim. É o caso, por exemplo, de sHe e dRuNk e algumas outras. Não atrapalha tanto, mas eu, em particular, gostaria que tivesse o tempo de espera.

Resumão:

A liberdade criativa ofertada pela gravadora para o primeiro disco foi certeira. Mostra que o cara é inteligente, sabe o que faz, o que quer fazer e aonde quer chegar.

O minimalismo e o direcionamento artístico estão até na ficha técnica de produtores e compositores, já que são poucos nomes citados. Diferente do que vemos em outros grandes artistas que trabalham com tantos nomes e estilos diferentes, atirando para todos os lados. Arrisco a dizer que é minimalista e grandioso ao mesmo tempo, por causa de todas referencias que encontramos, que ele buscou e pela quantidade de instrumentos harmonizados, mas de forma minimalista. Aqui podemos dizer: “Menos é mais”?

É uma obra digna de um artista “estreante”.

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Dou 4,5 estrelas de 5,0 estrelas (pontos)

Espero que curta e goste do álbum tanto quanto yo e sinta-se à vontade para viajar pela mente de um jovem artista. Até a próxima!

 

 

 

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